Joel Malucelli
Terça-feira (24), haverá um histórico leilão na Bolsa de Valores de São Paulo – B3 -para a construção de escolas públicas, através de PPPs Sociais e, neste caso específico, escolas para o Governo do Estado do Paraná. A iniciativa privada limpa o terreno e edifica, sobre ele, uma escola baseada em modelos internacionais e administra tudo, desde a segurança, alimentação e infraestrutura, à exceção do trabalho pedagógico, que fica por conta da direção do ensino fundamental ou médio.
Uma das empresas JMalucelli assinou contrato para a construção e gestão de 31 escolas para sete mil alunos neste padrão à Prefeitura de Caxias do Sul. É por isso que, venho aqui, falar um pouco deste projeto de PPPs Sociais que vem sendo estudado juntamente com nossos parceiros especializados em concessões escolares em Belo Horizonte e em edificações em todo o País.
Hoje, lamentavelmente, observamos que o debate público muitas vezes se perde em disputas menores e interesses imediatos. Mas há movimentos silenciosos que podem redefinir o destino de uma geração inteira. No Paraná, um novo modelo de Parceria Público-Privada (PPP) voltado à construção e gestão de escolas públicas avança a passos largos. Mais do que um contrato financeiro de um leilão na B3, trata-se de uma escolha de caminho.
Educação não é gasto, é investimento civilizatório. É a única arma legítima capaz de romper ciclos de pobreza, reduzir desigualdades e oferecer dignidade onde antes havia ausência do Estado. Não há atalhos. Nenhuma sociedade se desenvolveu sem colocar a educação no centro de seu projeto de futuro. Podemos ter, como parâmetros, países sucumbidos que se reergueram através da educação e hoje figuram como potências mundiais, principalmente em tecnologia.
No Paraná a iniciativa privada entra com a responsabilidade pela infraestrutura, manutenção e gestão administrativa das escolas, enquanto o conteúdo pedagógico permanece sob controle do poder público. Em tese, preserva-se o coração da educação — o ensino — ao mesmo tempo em que se busca eficiência naquilo que historicamente o Estado tem, muitas vezes, dificuldade de executar com agilidade.
Escolas precárias, estruturas degradadas, ambientes que não acolhem — tudo isso impacta diretamente no aprendizado. Um aluno que estuda em um espaço digno aprende mais, permanece mais tempo na escola e constrói uma relação mais saudável com o conhecimento. Educação também é ambiente. É cuidado. É respeito.
É nesse aspecto que iniciativas como essa precisam ser analisadas com menos preconceito ideológico e mais compromisso social. Não se trata de privatizar o ensino, mas de encontrar caminhos para que ele aconteça com qualidade. O verdadeiro debate não deveria ser “quem constrói”, mas “quem garante que nossas crianças tenham acesso ao melhor possível”.
Ao mesmo tempo, a vigilância da sociedade é indispensável. Parcerias exigem transparência, contratos bem estruturados e fiscalização rigorosa. O risco não está na ideia, mas na execução. Educação não pode virar negócio — precisa continuar sendo missão.
O projeto, com bom gestor, pode representar mais do que novas escolas. Pode simbolizar uma virada de chave: a compreensão de que investir em educação não é uma escolha política, é uma obrigação moral.
E um país que não cuida da educação não perde apenas oportunidades — perde gerações inteiras.
Joel Malucelli, empresário paranaense


