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Política no Paraná; um enredo confuso

O jogo político no Paraná virou um espetáculo tragicômico — desses que fariam Ulysses Guimarães levantar da tumba só para pedir explicação e, talvez, desistir no meio do caminho. O enredo é tão confuso que já não cabe em plenário: merece auditório universitário, com direito a teses..

O que se vê é um roteiro mal costurado: hesitações públicas, dúvidas privadas, traições discretas e uma cortina de fumaça tão espessa que nem os países nórdicos — acostumados ao nevoeiro — se aventurariam a atravessar. E o pior: tudo isso em um Estado que, no papel, vai bem. Quarta economia do país, avanços em infraestrutura, educação respirando melhor. Era para ser estabilidade. Mas, na prática, virou penumbra.

Nesse palco, entra Sergio Moro, um paraquedista de primeira viagem na política, que pousa derrubando velhas raposas e reescrevendo alianças com a frieza de quem ainda não aprendeu — ou não quis aprender — as liturgias do jogo. Trai, recompõe, avança. E, goste-se ou não, hoje joga por cima.

Do outro lado, Ratinho Junior parece ter perdido o traçado da curva. Entre cálculos, silêncios e indecisões, deixa escapar o timing — e, em política, tempo perdido não volta. Some-se a isso um tabuleiro onde aliados viram incógnitas e adversários, às vezes, parecem mais organizados.

No fim, sobra o eleitor, assistindo a esse teatro de sombras, cada vez mais distante, cada vez mais descrente. Porque quando a política vira um jogo de fumaça, quem paga a conta não é quem move as peças — é quem sequer foi convidado a jogar.

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