A entrevista concedida pelo senador Sergio Moro (PL), que deveria ser apenas mais um compromisso protocolar na Assembleia Legislativa, acabou virando munição contra o próprio pré-candidato ao Palácio Iguaçu.
Na política, o maior adversário costuma ser o passado — e Moro sabe disso melhor do que ninguém. Ainda assim, bastou meia dúzia de perguntas para que jornalistas resgatassem declarações da época em que ele ocupava o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. E não qualquer fala: justamente aquela em que afirmou não ter cedido a pressões para “preservar” a família presidencial junto à Polícia Federal.
O problema é que esse tipo de declaração não envelhece — amadurece. E volta sempre no pior momento.
Como resposta, Moro recorreu ao script já conhecido: foi às redes sociais, nesta quarta-feira (08), para denunciar uma suposta onda de fake news envolvendo pesquisas que indicariam sua queda. Tentativa legítima, claro. Mas que não resolve o ponto central: não são apenas narrativas externas que incomodam — é a própria biografia.
No fim das contas, Moro descobre, mais uma vez, que na arena política não basta controlar o presente. O arquivo fala, a memória cobra e, quando menos se espera, o passado senta à mesa — sem pedir licença.


