
A Grande Reserva Mata Atlântica é o abrigo e local de alimentação de aves, peixes, caranguejos, tartarugas, tubarões e raias e muitas outras espécies
Com apoio da Petrobras há 17 anos, o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), projeto realizado pela Associação Mar Brasil, reúne dados históricos e científicos para compreender a saúde ambiental da Grande Reserva Mata Atlântica, uma das regiões mais importantes para a conservação da biodiversidade no país.
A Grande Reserva Mata Atlântica é o abrigo e local de alimentação de aves, peixes, caranguejos, tartarugas, tubarões e raias e muitas outras espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção. Esse território se estende do norte de Santa Catarina, passa pelo litoral do Paraná e chega ao sul de São Paulo, abriga paisagens únicas, como manguezais, florestas preservadas e uma impressionante biodiversidade marinha.

equilíbrio ambiental e a manutenção da vida marinha.
As ações socioambientais do Rebimar envolvem o estudo integrado da qualidade da água, do solo, da fauna e das paisagens costeiras, com atenção especial aos manguezais, ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental e a manutenção da vida marinha. Esse é um dos projetos que referência do Programa Petrobras Socioambiental na região Sul do país. A Petrobras investe voluntariamente em projetos de Oceano, Florestas Educação e Desenvolvimento Econômico Sustentável em 23 estados brasileiros. No caso dos 27 projetos de Oceano vigentes, como o Rebimar, o investimento do Programa Petrobras Socioambiental supera R$ 235 milhões no período entre 2023-2030. Esses projetos realizam ações de conservação e recuperação de espécies, contribuindo para a Política Nacional da Biodiversidade, os Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. São 390 espécies da fauna costeira e marinha, sendo 83 ameaçadas, duas delas a raia-viola e o mero, estudados pelo Rebimar.
Além do monitoramento de indicadores, a Petrobras faz uma avaliação de retorno socioambiental sobre o investimento que aponta um retorno médio R$ 4,88 em benefícios sociais e ambientais para cada real investido pela Petrobras. Na prática, esse valor reflete os benefícios que os resultados dos projetos oferecem para a sociedade dos pontos de vista ambiental, social e econômico.
Apoio de Universidades do Paraná e São Paulo
Desde 2009, o Rebimar é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e conta com apoio científico da Universidade Federal do Paraná, da Universidade Estadual do Paraná, da Universidade de São Paulo e do Instituto Federal do Paraná. Coleta de microplástico no mar. Pesquisa e Conservação O projeto tem como objetivo a recuperação desses ambientes, desde a fauna bentônica, que fica no solo arenoso, ou incrustada nos costões rochosos, até a megafauna ativa que utiliza essas áreas como local para alimentação, refúgio e reprodução, dentre elas podemos citar o mero (Epinephelus Itajara). Na região encontramos ainda a tartaruga-verde (Chelonia Mydas), as raiasviola-do-focinho-curto (Zapteryx brevirostris) e o caranguejo-uçá (Ucides cordatus). Espécies chave para a compreensão do estado de saúde desses ambientes.
Agregação de Meros no litoral do Paraná

Confira o vídeo 360 graus do Parque dos Meros aqui Pesquisadores e pescadores salvam milhares de raias em perigo de extinção As raias-viola são frequentemente capturadas de forma incidental durante a pesca do linguado no litoral do Paraná. Esse tipo de pesca não tem como alvo as raias, mas como esses animais vivem no fundo do mar, exatamente onde as redes atuam, acabam sendo capturados involuntariamente. Esse cenário é especialmente preocupante porque a raia-viola enfrenta risco de extinção: globalmente, a espécie é classificada como “Em Perigo”, enquanto no Brasil é considerada “Vulnerável”.
Há mais de uma década, pescadores e pesquisadores do Rebimar atuam juntos para proteger as raias. Sempre que ocorre uma captura incidental, os pescadores avisam a equipe científica. A partir daí, entra em ação um protocolo cuidadosamente elaborado. Após o desembarque, momento em que os animais já passaram por estresse, as raias são mantidas por três dias em recintos estáveis, com monitoramento constante da saúde dos animais e da qualidade da água. Ao final desse período, quando estão recuperadas, as raias são devolvidas ao mar. Esse esforço colaborativo já permitiu que mais de 5 mil raias-gardino retornassem vivas ao oceano.
Participação de voluntários
Voluntários podem participar da soltura de raias. A espécie monitorada pelo Rebimar não possui ferrão. Uma pequena ilha abriga uma das maiores agregações tartaruga-verde estudadas no Brasil O Programa Rebimar é reconhecido como uma das iniciativas mais longas e completas de monitoramento da tartaruga-verde (Chelonia mydas) no sul do país. Ao longo dos anos, o programa tem gerado dados essenciais para políticas públicas, gestão ambiental e conservação da biodiversidade marinha.
Ilha das Cobras onde tartarugas descansam

Pelo menos três vezes por ano, a equipe do Rebimar se desloca até a Ilha das Cobras, onde as tartarugas-marinhas utilizam a área como local de descanso e alimentação. A expedição conta com biólogos e médicos-veterinários a bordo de uma embarcação adaptada como um ambulatório flutuante. PÚBLICA É utilizada uma rede especial, desenvolvida em parceria com um pescador local, projetada para não causar ferimentos aos animais. Quando uma tartaruga é capturada, a retirada é rápida e cuidadosa. A tartaruga é levada ao barco, onde passa por exames clínicos, biometria, anilhamento e aplicação de tags para monitoramento por satélite. O objetivo é compreender as rotas de deslocamento, as áreas de uso ao longo da costa brasileira e o estado de saúde dos animais.
Ilha das Cobras transformada em parque estadual
O conhecimento científico dessas pesquisas contribuiu para que a Ilha das Cobras fosse transformada em Parque Estadual, justamente por seu papel fundamental na conservação das tartarugas-marinhas na região. Rede pronta para a captura intencional das tartarugas na Ilha das Cobras. O monitoramento de longo prazo revelou alta fidelidade das tartarugas ao Complexo Estuarino de Paranaguá, além de conexões com outras regiões do litoral brasileiro.
Desde 2014, 275 tartarugas-verde juvenis foram marcadas no entorno da Ilha das Cobras. Desses indivíduos, 53 foram recapturados, confirmando residência e fidelidade à área. O tempo médio de permanência foi de nove meses, com 18 tartarugas permanecendo por mais de um ano e duas por mais de quatro anos na mesma região, um forte indicativo da importância ecológica do local, utilizando principalmente uma área de cerca de 30 km² no entorno da ilha. Esses dados como área de alimentação e desenvolvimento. O uso de telemetria via satélite reforçou esses resultados. Das 22 tartarugas rastreadas, 15 permaneceram integralmente embasaram a criação de mapas de áreas prioritárias para a conservação da espécie no litoral paranaense.
O estudo também revelou a conectividade entre regiões. Registros de encalhes e dados de rastreamento indicam deslocamentos de juvenis para os estados de São Paulo e Bahia, reforçando que a conservação da tartaruga-verde depende de ações integradas em escala regional e nacional.
Manguezais da Grande Reserva Mata Atlântica

A bióloga e surfista amadora, Tawane Nunes, é uma das pesquisadoras do projeto Carbono Azul: a resistência dos manguezais à prova O Projeto Rebimar realizou um mapeamento inédito e altamente refinado dos manguezais da Grande Reserva Mata Atlântica, utilizando drones, imagens de satélite e técnicas avançadas de geoprocessamento.
O levantamento identificou cerca de 50 mil hectares de manguezais, revelando com precisão quais áreas estão mais conservadas e quais sofrem maior impacto da ocupação humana e da poluição. Embora represente apenas cerca de 4% da área total de manguezais do Brasil, a Grande Reserva Mata Atlântica concentra alguns dos ecossistemas mais produtivos e estratégicos do país, especialmente no que se refere ao carbono azul, o carbono armazenado em ambientes costeiros.
Frear as mudanças climáticas

Os manguezais são como “esponjas” de absorver carbono da atmosfera, fundamentais para frear as mudanças climáticas. Um dos destaques desse monitoramento é uma floresta de mangue acompanhada continuamente desde 2019, localizada no Complexo Estuarino de Paranaguá. Trata-se de uma floresta densa e inundada, que apresenta altos índices de carbono estocado e de vigor da vegetação. A parcela acompanhada fica na região da Ilha da Cotinga, território indígena que figura entre as áreas com maior extensão de manguezais no Brasil, segundo dados recentes do IBAMA. Ali, é possível observar de perto a força e a resiliência de um manguezal submetido a múltiplas pressões.
Parte da equipe monitora continuamente o sangue do caranguejo-uçá, um sentinela ambiental do manguezal, que resiste aos impactos antrópicos. A hipótese é que a troca periódica da carapaça ajude o animal a eliminar contaminantes, uma estratégia de resistência que ainda está sendo investigada. Mas não são só os caranguejos que dependem desse ecossistema.
Berçário para diversas espécies de peixes
Os manguezais formam um berçário essencial para diversas espécies de peixes, incluindo o mero, que utiliza essas áreas como abrigo e fonte de alimento durante as fases juvenis. Sem manguezais, não há peixes no mar. E sem proteger esses ecossistemas, perde-se biodiversidade, segurança climática e qualidade de vida. PÚBLICA Lixo no Mar: Como a poluição plástica afeta os peixes e aves? Nas linhas formadas na areia pelo vai e vem das ondas, eles estão aos milhões, talvez bilhões ou trilhões. Estamos falando de microplásticos. Pequenos fragmentos de todas as cores e formatos, decorrentes da decomposição de materiais maiores. A água salgada, o movimento das correntes e o sol ajudam a degradar rapidamente qualquer tipo de material plástico. O Rebimar monitora a invasão do microplástico no litoral e confirmou cientificamente a presença de lixo plástico na água, em sedimentos e em animais, incluindo peixes e aves.
A ideia da pesquisa é ter uma grande “fotografia” do panorama da contaminação por microplásticos no litoral todo, com pesquisas incluindo baías, praias, ilhas e rios que desembocam no mar e na fauna marinha. Os resíduos plásticos concentram-se principalmente na superfície da água, sendo dispersos por marés e correntes marítimas. Nessas plumas ou espumas, é possível observar a olho nu a presença de plásticos flutuantes. E na areia, é possível ver de perto a contaminação.
Estudo das aves
O Rebimar estuda o tamanho do impacto em aves como fragatas, atobás, gaivotas e na coruja buraqueira. São analisados os tratos gastrointestinais de animais encontrados mortos e o regurgito da coruja coletado na areia. A pesquisa também confirmou a ingestão de plástico por peixes. Em uma das pesquisas, seis espécies comerciais foram analisadas em Matinhos e Pontal do Paraná. Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentaram partículas de microplásticos, uma frequência de 93,6%. A maior contaminação ocorreu em peixes demersais, que vivem em contato direto com o fundo do mar. Como as partículas foram encontradas no trato digestivo, parte descartada no consumo humano, ainda não é possível afirmar o impacto direto na saúde das pessoas. Será preciso investigar se e como substâncias químicas associadas ao plástico podem ser absorvidas pela carne do peixe. Em relação ao lixo visível (macroplástico), a situação é ainda mais crítica: o Paraná é o terceiro estado mais poluído do Brasil, com uma média de 1,5 item a cada dois metros quadrados de praia, 50% acima da média nacional.
Pedrobrás


