Neste primeiro semestre do ano, artistas e pesquisadores de reconhecimento nacional e internacional passaram pela Casa Hoffmann, um dos principais centros de pesquisa, formação e difusão da dança contemporânea no Brasil. E a segunda metade do ano não será diferente.
Fechando o mês de junho, neste fim de semana, marcam presença no espaço da Fundação Cultural de Curitiba a performer e pesquisadora Eleonora Fabião e o filósofo e teórico da dança André Lepecki. Eles participam da oficina Performance Agora, que acontece de sexta a domingo (12 a 14/6).
O workshop colaborativo mistura teoria e prática de performance, passando por criação, teorias e história. Entre os temas discutidos, estão assuntos que já fazem parte da carreira da professora e teórica, como a estranheza, o fazer ecopolítico e perspectivas contracoloniais. As inscrições encerraram em pouco tempo e a lista de espera é grande. A proposta, ao incorporar a prática e criação, inova na experiência de troca entre ministrantes e alunos.
“Receber duas pessoas tão relevantes, ela como performer e pesquisadora, e ele como filósofo da dança, é algo muito especial. Aqui os participantes têm a oportunidade de estar em contato direto com artistas que influenciam suas pesquisas e trajetórias”, destaca Andrea Lerner, consultora artística e uma das fundadoras da Casa Hoffmann.
Para ela, a presença de Eleonora e Lepecki também tem um significado histórico. Ambos estiveram entre os primeiros convidados da Casa Hoffmann, ainda no início dos anos 2000, quando o espaço consolidava sua proposta de conectar artistas locais a importantes nomes da cena internacional.
Fundada em 2003 por Andrea Lerner e Rosane Chamecki, a Casa Hoffmann nasceu com a vocação de ser um centro dedicado às artes vivas, especialmente à dança, à performance e às artes cênicas contemporâneas.
“Desde o início pensamos em criar diálogos entre pessoas daqui e do mundo, recebendo artistas de diferentes países e promovendo encontros que ampliem o repertório e as possibilidades de criação”, afirma Andrea.
Eleonora Fabião
Valorizando encontros e o espanto do contato, a carioca Eleonora Fabião construiu uma carreira sólida na performance, especialmente com interações nas ruas.
Iniciando nos anos 1990, ao longo das décadas se consagrou dentro e fora do Brasil. Hoje atua como professora titular da UFRJ. É doutora e mestra em Estudos da Performance pela New York University (Estados Unidos) e mestra em História Social da Cultura pela PUC- RJ. Já se apresentou no Festival de Curitiba, na Bienal de São Paulo, no ArtRio e na Grace Exhibition Space de Nova York, entre muitos outros lugares.
André Lepecki
Desde os anos 1980, André Lepecki atua como dramaturgo, e se aproxima da dança nos anos 1990 em Portugal. Passa a trabalhar também como crítico, ensaísta e curador, além de ter publicado livros sobre dança, performance e suas intersecções. Foi um dos curadores do Arquivo sobre Dança e Artes Visuais da Hayward Gallery de Londres (Inglaterra). Lepecki é professor titular da New York University, e colabora com Leonora desde 2003.
Primeiro semestre movimentado
Entre os convidados deste primeiro semestre estiveram nomes de destaque como Fábio Tavares, professor da prestigiada Juilliard School, em Nova Iorque, e Marcelo Evelin, um dos coreógrafos brasileiros de maior projeção internacional, cuja trajetória transita entre o Brasil e a Europa.
As atividades realizadas ao longo dos últimos meses proporcionaram aos participantes contato com diferentes metodologias de criação, pesquisa corporal e experimentação artística, consolidando a Casa Hoffmann como referência nacional na formação continuada de profissionais da dança.
O que virá
A programação do segundo semestre mantém o alto nível das atividades. Entre os artistas já confirmados estão Vitor Hamamoto, Josefa Pereira, Alice Ripoll, o duo As Improváveis, Elisabete Finger e Mário Lopes, todos reconhecidos por suas contribuições à dança contemporânea brasileira.
Além das oficinas e laboratórios voltados à pesquisa artística, a Casa Hoffmann continuará promovendo o projeto Portas Abertas, que aproxima o público de diferentes linguagens do movimento, das danças urbanas ao tango, incentivando a experimentação e o acesso à produção contemporânea.
A programação também incluirá ações voltadas a públicos específicos, como oficinas abertas para crianças durante o período do Dia das Crianças e atividades destinadas ao público acima dos 40 anos.
“Se no primeiro semestre tivemos muitas provocações e reflexões, neste segundo semestre receberemos artistas interessados em processos comunitários e em pesquisas físicas profundas, criando novas formas de encontro e criação coletiva”, resume Andrea.


