HomeDESTAQUEA difícil e enigmática sucessão de Ratinho Junior

A difícil e enigmática sucessão de Ratinho Junior

Por que o governador Ratinho Junior não escolheu o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi, ou o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, como seu sucessor natural ao Palácio Iguaçu? A resposta, até agora, permanece restrita ao próprio governador. E talvez, quando vier, já seja tarde demais.

Se Alexandre Curi reúne uma das mais robustas bases políticas do Paraná, com o apoio de mais de 200 prefeitos, forte presença no interior e uma votação expressiva em Curitiba, por que foi deixado de lado? O que faltou a quem esteve ao lado de Ratinho Junior em todos os momentos decisivos do governo? Qual foi o critério para ignorar um aliado que jamais se furtou a defender os projetos do Executivo na Assembleia Legislativa? O governador ainda não explicou.

E Rafael Greca? Ex-prefeito de Curitiba, ex-secretário de Estado e um dos políticos de maior reconhecimento eleitoral na capital e na Região Metropolitana, também foi descartado. Por quê? O que pesou mais do que sua experiência administrativa e seu capital político? Hoje, Greca busca seu caminho pelo MDB, partido que já governou o Paraná por seis vezes. Coincidência ou consequência?

Nos bastidores do terceiro andar do Palácio Iguaçu, a versão que circula é conhecida: Ratinho Junior teria evitado apoiar Alexandre Curi e Rafael Greca justamente porque ambos possuem liderança própria, independência política e luz suficiente para não depender da tutela de ninguém. Faz sentido? Ou trata-se apenas de mais uma teoria alimentada pelos corredores do poder?

Se essa hipótese estiver errada, resta outra pergunta: por que apostar todo o seu legado político na candidatura do deputado federal Sandro Alex? O que levou o governador a concentrar tamanho capital político em um único projeto? Convicção? Estratégia? Falta de alternativas?

E, principalmente: o que acontecerá se essa aposta fracassar?

Se Sandro Alex não vencer a eleição, Ratinho Junior não apenas terá deixado de fortalecer dois dos principais nomes de sua própria base, como poderá ter aberto espaço para o crescimento de seus adversários políticos. Terá valido a pena correr esse risco?

Na política, as escolhas definem o futuro. Mas, às vezes, são justamente as escolhas que deixam mais perguntas do que respostas.

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