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Ex-ministro da Cultura defende patrimônio histórico como ativo econômico

Encontro reuniu 13 especialistas em Curitiba para discutir como a preservação do patrimônio histórico pode impulsionar a economia, revitalizar centros urbanos e fortalecer a identidade das cidades

Foto: Rubens Nemitz Jr.

O patrimônio histórico deve ser tratado como ativo econômico e incorporado às estratégias de desenvolvimento urbano. A avaliação é do ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, durante Seminário Mercado e Patrimônios Históricos, realizado em 30 de junho na Casa Paraná Business | PUCPR, em Curitiba. O evento, promovido pelo LIDE Paraná, reuniu representantes do poder público, setor privado e especialistas em urbanismo e cultura.

Na abertura, Sá Leitão ressaltou que o valor dos imóveis históricos vai além da preservação física e está ligado à capacidade de gerar novos usos e atividade econômica. “O patrimônio cultural não deve ser visto como custo ou passivo, mas como um ativo econômico, social e simbólico, capaz de transformar cidades”, afirmou.

O ex-ministro destacou que patrimônio cultural e economia criativa compõem um mesmo ecossistema produtivo, que envolve áreas como arquitetura, design, gastronomia, turismo e comunicação. Nesse cenário, defendeu o reuso adaptativo como estratégia central para preservar os imóveis e reinseri-los na dinâmica contemporânea das cidades.

Curitiba no centro do debate sobre reocupação urbana

O seminário colocou a capital paranaense no centro das discussões sobre revitalização. Atualmente, a cidade concentra mais de 600 imóveis preservados, sendo 478 Unidades de Interesse de Preservação (UIPs) localizadas apenas na região central. O debate ocorre em um momento estratégico, em que Curitiba revisa o seu Plano Diretor e implementa o programa municipal Curitiba de Volta ao Centro.

A iniciativa prevê até R$ 163 milhões em incentivos fiscais, econômicos e construtivos voltados ao retrofit e ao restauro de imóveis históricos até 2032. O programa recentemente venceu o Latam Smart City Awards, principal prêmio de cidades inteligentes da América Latina.

O LIDE Paraná buscou aproximar os diferentes agentes envolvidos no ecossistema urbano. “Buscamos ouvir tanto a iniciativa pública quanto a privada. A ideia foi reunir entes públicos que trabalham em prol da preservação do patrimônio e o mercado — empresários que ocupam ou querem ocupar prédios históricos. Não é simples, porque o processo de restauro é demorado e custoso, mas também agrega valor para o negócio e para a cidade, porque você restaura a história do município, resgata a memória e dá vida a um imóvel que já teve outras vidas”, destacou Heloisa Garrett, presidente do LIDE Paraná e fundadora do Paraná Business.

Entre os exemplos de sucesso citados ao longo do encontro, esteve a histórica transformação da Rua XV de Novembro no primeiro calçadão exclusivo para pedestres do Brasil.

Debate envolve regulação, ocupação e viabilidade econômica

O primeiro painel do evento, mediado por Heloisa Garrett, focou nos aspectos regulatórios e de planejamento urbano. Participaram dos debates Tatiana Turra, assessora especial do prefeito de Curitiba e coordenadora executiva do Curitiba de Volta ao Centro; Jussimara Campelo, chefe do Setor de Patrimônio Histórico do IPPUC; Susanne Pertschi Borges, decana da Escola de Belas Artes da PUCPR; Marcelo Sutil, diretor de Patrimônio da Fundação Cultural de Curitiba; Rafaela Lupion, vereadora e presidente da Comissão de Urbanismo da Câmara Municipal (CMC); e Valéria Bechara, sócia-fundadora da Jaime Lerner Arquitetos Associados.

Na sequência, a segunda mesa discutiu a prática da preservação e da ocupação qualificada dos espaços. O debate reuniu Larissa Ferreira, chefe da Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC/SEEC); Lais Leão, vereadora e vice-presidente da Comissão de Urbanismo da CMC; Fernando Vernalha Guimarães, advogado e sócio-fundador do Vernalha Pereira; Cristina Pastore, diretora de Marca e Futuro da PUCPR; Gabriel Paris, coordenador da Escola de Patrimônio da Fundação Cultural de Curitiba; e Daiana Nonato, presidente da Associação dos Proprietários de Imóveis Históricos e de Interesse de Preservação (APIHIP).

Ao final do seminário, prevaleceu a avaliação de que o patrimônio histórico funciona como infraestrutura urbana ativa. Quando integrado a políticas públicas e ao financiamento privado, o setor impulsiona investimentos, requalifica áreas centrais e fortalece a identidade das cidades, garantindo sua permanência em uso.


Sobre o LIDE Paraná

O LIDE Paraná é o maior ecossistema de negócios do Estado. Reúne mais de 250 empresas e 600 empresários associados em prol do desenvolvimento social e econômico do Paraná. Parte do sistema global LIDE, que neste ano completa 25 anos de atuação e tem presença em 29 países, a unidade paranaense é reconhecida nos últimos quatro anos como referência entre as mais de 20 unidades nacionais. No Estado promove mais de 60 eventos estratégicos por ano, conectando 35 setores da economia. Em 2025, as empresas ligadas ao LIDE Paraná somaram faturamento agregado de R$ 200 bilhões e geraram mais de 400 mil empregos.


Sobre a Casa Paraná Business | PUCPR

A Casa Paraná Business | PUCPR faz parte de um ecossistema premium de relacionamento, negócios, conteúdo e hospitalidade, instalado no histórico Palacete Ascânio Miró, no centro de Curitiba. Uma iniciativa da Paraná Business, em parceria institucional com a PUCPR, a Casa restaurada pela LC Branco é também a sede oficial do LIDE Paraná. Mais do que um endereço, ela é concebida como uma plataforma de conexão entre empresas, poder público e academia, e como um caso de ocupação qualificada de patrimônio histórico pela iniciativa privada

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