O aumento dos casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes tem colocado diversos países europeus em estado de atenção. Dados recentes apontam que o ambiente familiar, que deveria representar proteção e segurança, continua sendo um dos principais espaços de risco para menores de idade.
Em Portugal, números divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) mostram que a violência doméstica corresponde a 61,7% das situações de violência registradas contra crianças e jovens nos últimos cinco anos. Entre 2022 e 2025, os agressores identificados eram majoritariamente homens (61,9%), e em 39,6% dos casos o responsável pela violência era o próprio pai ou a mãe da vítima.
O cenário reflete uma preocupação crescente em toda a Europa, onde autoridades e organizações de proteção à infância alertam para a necessidade de ampliar mecanismos de prevenção, acolhimento e denúncia.
Para a advogada internacional e ex-parlamentar italiana Renata Bueno, os dados revelam uma realidade que exige respostas mais efetivas dos governos europeus.
“Quando a violência acontece dentro de casa, o desafio da proteção torna-se ainda maior. Estamos falando de crianças que muitas vezes dependem emocional e financeiramente dos próprios agressores, o que dificulta denúncias e prolonga situações de sofrimento”, afirma.
Segundo Renata Bueno, o crescimento dos casos demonstra a necessidade de reforçar políticas públicas voltadas à infância e fortalecer as redes de apoio social.
“A Europa possui uma tradição consolidada na defesa dos direitos humanos, mas os números mostram que ainda existem falhas importantes nos sistemas de proteção. É fundamental investir em prevenção, capacitação de profissionais, acompanhamento familiar e canais acessíveis de denúncia”, destaca.
Especialistas apontam que a violência doméstica contra crianças está associada a múltiplos fatores, incluindo vulnerabilidade econômica, transtornos de saúde mental, dependência química e ciclos familiares de violência. As consequências podem acompanhar as vítimas por toda a vida, comprometendo o desenvolvimento emocional, educacional e social.
Para Renata Bueno, romper o silêncio é um dos principais desafios.
“Muitas crianças não conseguem identificar que estão sendo vítimas de violência, ou têm medo de denunciar. Por isso, escolas, profissionais da saúde, assistentes sociais e toda a comunidade precisam estar atentos aos sinais de abuso e negligência”, observa.
A ex-parlamentar italiana ressalta ainda que a proteção da infância deve ser tratada como uma prioridade permanente das políticas públicas europeias.
“A forma como uma sociedade protege suas crianças é um indicador do seu compromisso com o futuro. Não podemos aceitar que os lares, que deveriam representar segurança e acolhimento, continuem figurando entre os principais cenários de violência contra menores”, conclui.
Os dados da APAV reforçam o alerta para um fenômeno que ultrapassa fronteiras nacionais e evidencia a necessidade de uma atuação coordenada entre governos, instituições de proteção e sociedade civil para garantir ambientes seguros e saudáveis para crianças e adolescentes em toda a Europa.



