O candidato apoiado pelo governo estadual e pelo PSD, deputado federal Sandro Alex, apareceu com 5% na pesquisa Vox Brasil, realizada em 3 de julho, e com 10,7% no levantamento do Paraná Pesquisas divulgado na semana seguinte. Dependendo do instituto, a diferença é expressiva demais para ser atribuída apenas à margem de erro.
Nos corredores do terceiro andar do Palácio Iguaçu, a pergunta é inevitável: por que as pesquisas sobre Sandro Alex apresentam resultados tão distintos? A resposta passa por fatores como metodologia, universo pesquisado, contratantes e critérios de amostragem. Ao mesmo tempo, os números alimentam o debate sobre o real estágio da candidatura escolhida pelo governador Ratinho Junior.
Diante desse cenário, o governador decidiu intensificar a agenda política e percorrer o Estado ao lado de Sandro Alex. O desafio é ampliar o conhecimento do candidato junto ao eleitorado, especialmente em regiões do interior, na capital e na Região Metropolitana de Curitiba, onde seu nível de reconhecimento ainda é considerado limitado.
Ratinho Junior também mudou o tom do discurso. Nos próximos dias, será possível avaliar se essa mudança virá acompanhada de uma postura ainda mais ativa na defesa de sua indicação. Até aqui, o governador mantém o argumento de que Sandro Alex reúne experiência administrativa e capacidade para comandar o Executivo estadual, dando continuidade às políticas implementadas pela atual gestão.
Chapão Greca-Curi: hipótese ou realidade?
Enquanto isso, longe do núcleo político do Palácio Iguaçu, cresce outra discussão nos bastidores. A resolução do PSD proibindo o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, de declarar apoio ao ex-prefeito Rafael Greca (MDB), somada às pesquisas que colocam Greca à frente de Sandro Alex em alguns cenários, fortaleceu as especulações sobre uma eventual chapa Greca-Curi.
A dúvida permanece: trata-se de uma articulação concreta ou apenas de um balão de ensaio para pressionar as negociações? Publicamente, Ratinho Junior procura encerrar o debate. Para ele, o candidato do grupo continua sendo Sandro Alex, sem margem para interpretações.
O que os paranaenses realmente querem
A resolução do PSD, que prevê sanções a filiados que apoiem outros candidatos, abre uma discussão jurídica e política relevante. Até que ponto um partido pode constranger publicamente seus integrantes em nome da unidade? E o que essa postura revela sobre o momento vivido pelo Palácio Iguaçu?
Nesse contexto, a Federação assume papel estratégico. Com uma bancada expressiva e prefeitos distribuídos por diversas regiões do Estado, o grupo representa um ativo político importante. Ao optar por não aderir automaticamente ao projeto do governo, transforma-se em peça-chave das negociações eleitorais.
Esse posicionamento mantém diferentes possibilidades sobre a mesa: apoiar Sandro Alex, integrar uma eventual composição entre Greca e Alexandre Curi, construir uma aliança com Rafael Greca ou até negociar isoladamente com Sergio Moro.
O contraste com a estratégia do PSD é evidente. Enquanto o partido decidiu fechar questão por meio de uma resolução que prevê punições por infidelidade, a Federação mantém todas as alternativas em aberto. Mais do que uma diferença de método, essa postura tornou-se um dos principais elementos da disputa sucessória no Paraná e poderá influenciar decisivamente a formação das alianças para 2026.


