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MED 2.0 amplia rastreamento de dinheiro desviado em golpes via Pix e pode aumentar chances de recuperação

 A rapidez que transformou o Pix em uma das principais formas de pagamento dos brasileiros também é explorada por criminosos para dificultar a recuperação de valores obtidos em golpes. Depois de receber uma transferência, fraudadores podem movimentar o dinheiro rapidamente por diferentes contas, criando uma cadeia que dificulta seu bloqueio. É justamente sobre essa brecha que atua o MED 2.0, a versão do Mecanismo Especial de Devolução, que amplia a capacidade de rastreamento de recursos dentro do sistema financeiro.

No modelo anterior, o rastreamento e o bloqueio ficavam restritos à conta que recebeu originalmente o Pix. O problema é que organizações criminosas podem retirar rapidamente os recursos desse primeiro destino e distribuí-los entre outras contas. “O principal gargalo do MED antigo (1.0) é que ele só conseguia rastrear e bloquear os recursos na conta do primeiro recebedor. O MED 2.0 nasceu justamente para fechar essa brecha”, explica Andressa Lipski, diretora de governança da Trio, empresa especializada em tecnologia para pagamentos.

“A grande mudança é a capacidade de rastreamento em múltiplas camadas, o sistema agora busca mapear o caminho do dinheiro por toda a cadeia, permitindo o bloqueio dos valores mesmo que eles tenham sido fragmentados e repassados para terceiros ou até mais envolvidos”, completa Andressa.

Dinheiro pulverizado passa a ser rastreado

Na prática, a evolução permite que o sistema acompanhe o caminho percorrido pelo dinheiro depois que ele deixa a primeira conta. O objetivo é identificar as diferentes transferências realizadas e tentar bloquear os recursos onde eles estiverem. “A tecnologia funciona através de uma integração sistêmica mais profunda entre os participantes do Pix e o Banco Central. Quando o MED é acionado, o sistema não envia um alerta apenas para o Banco “B” (primeiro recebedor), mas mapeia a árvore de transações para os Bancos “C”, “D” e “E”, solicitando bloqueios fracionados até que o valor total seja alcançado. isso é um avanço monumental porque tira a ‘vantagem do tempo’ do criminoso. No antigo MED, se o dinheiro saísse da primeira conta, o rastro se esfriava, mas agora, o ecossistema age de forma colaborativa e em rede para encurralar o fluxo financeiro ilícito”, afirma Andressa.

A mudança tende a ser particularmente relevante em golpes praticados por organizações que utilizam diversas contas para movimentar rapidamente os valores. “Acompanho de perto o impacto financeiro das fraudes no ecossistema, e o MED 2.0 é um divisor de águas na recuperação de capital. Ele aumenta significativamente a probabilidade, sendo especialmente eficiente contra quadrilhas estruturadas e golpes de engenharia social (como o golpe da falsa central de atendimento). Nesses crimes, o fraudador não mantém o dinheiro na conta de destino original; ele o espalha rapidamente. Ao permitir o rastreio em cascata, o MED 2.0 ataca diretamente a principal tática de lavagem de dinheiro dessas organizações”, diz Andressa.

Fui vítima de golpe. Como acionar o MED?

Apesar da evolução tecnológica, a velocidade com que a vítima comunica a fraude à instituição financeira continua sendo um fator importante. O primeiro passo é procurar o banco ou instituição de onde o Pix foi realizado utilizando seus canais oficiais. O prazo máximo para solicitar o MED é de 80 dias após a realização da transferência, segundo Andressa.

“Assim que a vítima percebe a fraude, ela deve entrar em contato imediatamente por meio dos canais oficiais (aplicativo, telefone ou agência) com a sua própria instituição financeira de onde o dinheiro saiu, e relatar o golpe. O prazo máximo para solicitar o MED é de 80 dias após a data do Pix”, orienta a diretora da Trio. 

Ela destaca ainda que o mecanismo, entretanto, não funciona como uma ferramenta para cancelar qualquer transferência. Ele se aplica a situações envolvendo fraudes, golpes, crimes cibernéticos e determinadas falhas operacionais das instituições. Desacordos comerciais ou uma transferência realizada para uma chave errada por desatenção não se enquadram no MED.

Mesmo com o rastreamento em múltiplas camadas, acionar o mecanismo não significa necessariamente que todo o dinheiro será recuperado. Uma das principais limitações aparece quando os recursos deixam o ambiente financeiro que pode ser rastreado automaticamente. “Se os fraudadores conseguirem sacar o dinheiro em espécie em um caixa eletrônico, transferi-lo para contas no exterior, ou convertê-lo em criptoativos em exchanges não reguladas antes que o bloqueio seja processado, a recuperação se torna praticamente impossível pelos meios automáticos do Banco Central, restando apenas a via de investigação policial e judicial”, explica Andressa. 

Compartilhamento de informações ganha importância

Além de buscar valores depois que uma fraude ocorre, a evolução do mecanismo pode contribuir para identificar contas utilizadas de maneira recorrente na movimentação de recursos provenientes de golpes. A expectativa é de uma integração maior das informações disponíveis no ecossistema financeiro, permitindo identificar padrões associados às chamadas contas de passagem.

“Passamos de um modelo de comunicação reativa e pontual para um ecossistema de inteligência compartilhada. Com o MED 2.0, as instituições alimentam uma base de dados mais rica sobre o comportamento dessas contas de passagem. Se uma conta for identificada no meio de uma cadeia de pulverização de fraude, ela acende um alerta vermelho no sistema inteiro. Isso vai permitir que instituições como a Trio bloqueiem preventivamente contas com perfis suspeitos”, explica Andressa.

Prevenção continua sendo a principal barreira contra golpes

Apesar dos avanços do MED 2.0, a especialista ressalta que o mecanismo entra em ação quando a fraude já aconteceu. Por isso, o desenvolvimento de novas ferramentas de recuperação não elimina a necessidade de prevenção. “O MED 2.0 é um excelente ‘freio de emergência’, mas ele atua após o golpe, por isso o verdadeiro combate se dá na prevenção. A engenharia social, continua sendo o elo mais fraco da segurança cibernética. Os cuidados básicos seguem indispensáveis: desconfiar de ofertas milagrosas, não ceder à pressão de urgência em ligações que pedem transferências, nunca compartilhar senhas, e o mais importante: sempre conferir o nome do destinatário final na tela do aplicativo antes de digitar a senha e confirmar o Pix. A tecnologia nos protege, mas a conscientização do cliente é a nossa primeira linha de defesa”, destaca Andressa.

Com a possibilidade de acompanhar o dinheiro por diferentes contas, o MED 2.0 amplia a capacidade de reação do sistema financeiro diante de fraudes. “Ao mesmo tempo, a mudança reforça um desafio que acompanha a própria evolução do Pix: fazer com que instituições, tecnologia e usuários avancem conjuntamente na prevenção e no combate aos golpes”, completa a especialista. 

Sobre a Trio

Criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, a Trio é especializada em tecnologia para pagamentos, atuando como uma Instituição de Pagamento regulada pelo Banco Central (IP 619). O grande diferencial da Trio está em sua conta corporativa feita sob medida para times financeiros e concebida para entregar alta performance em operações financeiras de ponta a ponta, sem intermediários.  A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação facilitada e soluções baseadas em Pix. Para mais informações, acesse o site www.trio.com.br ou o perfil oficial no Instagram: @trio.fin.

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