Exatamente quatro meses depois do desaparecimento das jovens primas Stella Dalva Melegari e Letycia Garcia Mendes, de 18 anos, a polícia conseguiu esclarecer o crime, em uma operação desenvolvida em diferentes pontos da região Noroeste do Estado, nesta sexta-feira (21). Como suspeitavam os policiais, as jovens tinham sido assassinadas na data em que sumiram, a madrugada der 21 de abril.
O principal acusado do crime, o ex-presidiário Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, o “Dog dog”, morreu no início da manhã ao resistir à prisão e fazer uma pessoa refém, depois de localizado em Mandaguari, próximo a Maringá. O comparsa dele, conhecido como “Magrão”, foi preso em Umuarama e levou os policiais até o local onde os corpos tinham sido enterrados, em uma área de mata na zona rural de Paraíso do Norte.
Os detalhes das investigações e da elucidação do crime foram apresentados na tarde desta sexta pelo secretário da Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira, e pelo delegado Luís Fernando Alves da Silva, da 21ª Subdivisão Policial da Polícia Civil de Cianorte e que coordenou o trabalho. A investigação começou em Cianorte por ter sido a cidade onde as jovens foram vistas pela última vez.
De acordo com o apurado pela polícia, as jovens conheceram Clayton, que se apresentava como Davi, e foram vistas às 22h39 saindo na camioneta dele. Depois de percorrerem vários locais, teria ocorrido desentendimento entre Clayton e uma delas e ele a matou com um tiro na testa. A outra chegou a desembarcar para tentar fugir, mas foi perseguida e também morta.
“Magrão”, que foi preso em Umuarama, confessou ter participação direta na ocultação do cadáver. Disse que, após o crime e da “desova” dos corpos na área rural de Paraíso do Norte, Clayton seguiu para o Paraguai, onde abandonou a camioneta, que era roubada, para dificultar as investigações. Recentemente, Clayton participou de alguns assaltos, como a invasão de uma propriedade rural em São Carlos do Ivaí, em episódios que possibilitaram à polícia rastrear seus passos.
A ação para sua captura envolveu equipes do Tigre, da Divisão de Combate ao Narcotráfico (Denarc)m e da SPD de Cianorte. A casa onde estava escondido, em Mandaguari, sua cidade natal, foi cercada pela manhã e, ao perceber, tentou fugir escalando telhados e pulando muros. Acabou invadindo a casa de Adriano Donizeti de Oliveira, que foi feito refém e levado ao banheiro. Ameaçava matá-lo quando foi baleado. Na moradia, os policiais encontraram explosivos, o que exigiu a mobilização de uma equipe especial da PM. O material foi levado a uma área distante da cidade e detonado.
Clayton era de alta periculosidade e tinha três mandados de prisão em aberto. Seu histórico criminal remontava desde a menoridade, quando teve cerca de 20 passagens pela polícia. Condenado por tráfico de drogas e roubos, cumpriu sete anos de prisão.
Após a conclusão dos trabalhos periciais da Polícia Científica e IML, os corpos das jovens devem ser liberados às famílias para sepultamento, encerrando assim angústia de quatro meses e que, desde o início, pelo histórico do criminoso, a polícia trabalhava como a hipótese de dupla execução. Com a morte do autor, muitas dúvidas persistirão.
Cronologia
22h39 de 20 de abril: as jovens são vistas saindo de Cianorte na caminhonete com Clayton – que Letycia conhecia pelo nome de “Davi”. A polícia apurou que eles partiram da casa de Letycia. Esta foi a última vez que a jovem se conectou à internet, porque ela não tinha pacote de dados móveis, segundo a corporação.
22h55: Sttela fez uma publicação nas redes sociais e marcou Letycia. Na imagem ela aparece com uma garrafa de uísque e há música dentro da caminhonete. A publicação continha a legenda “Qual será o nosso destino KKKK”.
23h13: o trio sai de Jussara e viaja sentido a Maringá, pela rodovia PR-323.
00h16 de 21 de abril: Sttela faz a segunda e última publicação no trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparece na imagem, mas somente Letycia tem o perfil mencionado na postagem.
1h10: Stella, Letycia e Clayton são filmados em uma boate de Paranavaí. Por volta da 1h10, o trio aparece entrando na festa. Lá dentro, as primas foram filmadas andando, de mãos dadas. Depois, Clayton também é gravado com elas.
3h17: última vez que Sttela se conectou à internet. A informação foi apurada por meio de um pedido emergencial de quebra de sigilo do WhatsApp.
Entre 22 e 23 de abril: Clayton volta sozinho a Cianorte. De acordo com a investigação, ele estava sem a caminhonete e saiu da cidade novamente usando uma moto e sem celular.
9h de 23 de abril: última vez em que Clayton se conecta à internet.
24 de abril: polícia descobre que há registro de que o homem tenha passado por Maringá.
29 de abril: é expedido o mandado de prisão contra Clayton, pelos crimes de roubo e homicídio. Ele é considerado foragido desde então.
15 de maio: mulher apontada como ex-namorada de Clayton é presa em uma operação da Polícia Civil, suspeita de dar apoio financeiro e logístico ao homem nos desaparecimentos das jovens.
15 de junho: polícia faz buscas por pistas na área rural de Paraíso do Norte.
21 de agosto: Clayton é morto em uma abordagem da polícia em Mandaguari, e outro suspeito é preso em Umuarama.


