HomeDESTAQUEPolítica no Paraná entra no modo vale-tudo

Política no Paraná entra no modo vale-tudo

Política no Paraná.O que ainda está faltando é descobrir quem tem alguma coisa realmente boa para oferecer ao Estado depois que a fumaça dessa guerra baixar.

A campanha eleitoral no Paraná deixou de ser uma disputa pelo futuro do Estado para se transformar, perigosamente, numa guerra de trincheiras. E, como acontece em toda guerra mal conduzida, já não importa muito onde está o inimigo: atira-se para todos os lados. Vale quase tudo.


Pesquisa virou granada. Vídeo virou míssil. Recorte de entrevista virou emboscada. Uma frase mal colocada é retirada do contexto, embrulhada para presente e entregue imediatamente às redes sociais para que os exércitos digitais façam o serviço sujo.


Proposta de governo? Depois a gente vê.


O importante agora é destruir o adversário antes que ele consiga destruir você.
Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho disputam muito mais do que o Palácio Iguaçu. Disputam narrativas, territórios políticos e, sobretudo, a sobrevivência de seus respectivos projetos. E é justamente por isso que a temperatura subiu tão cedo e tão violentamente.


Ninguém quer apenas ganhar. Quer ver o outro sangrar politicamente.


Nos bastidores, assessores vasculham entrevistas, discursos, documentos, processos, alianças, fotografias e postagens antigas em busca de alguma coisa que possa virar munição. Os departamentos jurídicos caminham ao lado dos marqueteiros. E os marqueteiros, aparentemente, já acordam perguntando não o que seu candidato fará pelo Paraná, mas qual adversário será triturado antes do almoço.


É a industrialização da pancadaria eleitoral.


Há ainda um ingrediente especialmente explosivo: Brasília entrou de corpo inteiro na eleição paranaense.
Lula, Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e toda a guerra ideológica nacional começam a ser empurrados para dentro de uma eleição que deveria discutir, antes de tudo, os problemas de quem mora no Paraná.

E aí mora o perigo.


Porque o eleitor paranaense pode terminar obrigado a escolher não entre diferentes projetos para o Estado, mas entre versões provincianas da guerra nacional.


Enquanto os candidatos discutem quem é mais lulista, bolsonarista, governista, oposicionista, direitista ou esquerdista, o Paraná continua precisando discutir pedágio, saúde, educação, segurança, habitação, infraestrutura, agricultura, desenvolvimento econômico, saneamento, estradas e o futuro das suas cidades.
Esses assuntos, porém, não viralizam tão facilmente.


Uma boa proposta de desenvolvimento regional dificilmente rende milhares de compartilhamentos. Um ataque bem editado, uma frase venenosa ou um vídeo debochado, sim. É a lógica perversa do algoritmo sequestrando a política.


E ainda temos as pesquisas eleitorais. Quando favorecem determinado candidato, são apresentadas como manifestação quase divina da vontade popular. Quando mostram resultado ruim, imediatamente surgem suspeitas sobre metodologia, instituto, contratante, amostra e até sobre a honestidade de quem contou os votos que ainda nem existem.


Pesquisa deixou de ser fotografia do momento para virar porrete.


E preparem-se: isso é apenas o começo. Quanto mais outubro se aproximar, mais nervosa ficará a disputa. Alianças serão cobradas, amizades serão testadas, apoios nacionais virarão constrangimentos locais e candidatos terão de explicar companhias que hoje preferem manter convenientemente escondidas debaixo do tapete.
O segundo turno, antes mesmo de existir, já assombra os gabinetes.


A política paranaense entrou numa espécie de saloon eleitoral: todo mundo está armado, ninguém confia em ninguém e há sempre alguém com a mão perto do coldre.


Só existe um problema.


No meio desse tiroteio está o eleitor. E talvez esteja chegando a hora de alguém guardar a pistola, desligar por alguns minutos o celular e responder uma pergunta assustadoramente simples:
Afinal, que Paraná vocês pretendem governar.

Porque para descobrir quem odeia quem, quem ataca quem e quem quer destruir quem, o eleitor já tem informação suficiente.

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS