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O samba do Supremo doido

No Supremo, a vaidade, quando entra pela porta de uma instituição, costuma mandar a prudência sair pelos fundos.

Não da para ficar calado. Talvez viaje, quem sabe, mas é preciso acertar a nota musical e o passo. Stanislaw Ponte Preta já desconfiava, lá pelos anos 1960, que o Brasil não caminhava: sambava. E, de preferência, fora do compasso.

Se estivesse vivo para observar Brasília nestes tempos pré-eleitorais, talvez Sérgio Porto atualizasse seu repertório. O velho Samba do Crioulo Doido ganharia uma versão jurídica: O Samba do Supremo Doido.

No salão do STF, parece não faltar coreografia. Ministro decide sozinho, outro discorda, um terceiro pede vista, alguém concede liminar e, quando o cidadão finalmente acredita ter entendido a música, muda o ritmo. É samba, frevo, tango e despacho monocrático.

A vaidade, quando entra pela porta de uma instituição, costuma mandar a prudência sair pelos fundos. E decisões monocráticas em excesso ajudam a criar a impressão de que onze ministros podem formar não apenas um tribunal, mas onze pequenos supremos dentro do Supremo.

Agora, para completar o enredo, surgem suspeitas e questionamentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis relações ou benefícios alcançando integrantes ou pessoas próximas à Corte. Enquanto acusações, versões e desmentidos precisam ser rigorosamente apurados, o estrago institucional começa antes mesmo da sentença: a dúvida também corrói reputações.

O STF, que deveria funcionar como maestro constitucional, corre o risco de parecer mais um integrante da bateria.

Stanislaw Ponte Preta talvez assistisse ao espetáculo, ajeitasse os óculos e concluísse: — Eu inventei o samba doido como sátira. Vocês não precisavam transformá-lo em método de trabalho.

E o brasileiro, às vésperas de uma eleição, como fica?

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