O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10,0 bilhões em agosto, uma melhora em relação ao déficit de R$ 17,3 bilhões observado no mesmo mês de 2025. O resultado veio bem abaixo do consenso de mercado (BBG: R$ 15,7 bilhões) e da nossa projeção (R$ 14,4 bilhões). No acumulado do ano, o setor público alcançou déficit de R$ 88,8 bilhões e, em 12 meses, déficit de R$ 82,1 bilhões (0,6% do PIB). Na abertura, o governo central registrou déficit de R$ 14,7 bilhões, enquanto governos regionais e empresas estatais apresentaram superávits de R$ 2,7 bilhões e R$ 2,0 bilhões, respectivamente. Em 12 meses, o governo central acumula déficit de R$ 71,2 bilhões (0,5% do PIB), os governos subnacionais déficit de R$ 5,3 bilhões (0,0% do PIB) e as estatais déficit de R$ 5,6 bilhões (0,0% do PIB).
As despesas com juros nominais somaram R$ 105,9 bilhões no mês passado, acima dos R$ 74,3 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. A diferença foi explicada, sobretudo, pelo resultado das operações com swaps cambiais (perda de R$ 9,3 bilhões neste ano versus ganho de 19,9 bilhões no ano passado). Em 12 meses, os juros nominais acumularam R$ 1.182,2 bilhões (8,9% do PIB), 1,3 p.p. do PIB acima de agosto de 2025. Finalmente, o resultado nominal do setor público consolidado registrou déficit de R$ 115,9 bilhões, enquanto o saldo em 12 meses atingiu déficit de R$ 1.264,2 bilhões (9,5% do PIB), alta de 1,7 p.p. do PIB em relação a um ano atrás.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de 82,6% do PIB para 82,9% do PIB, maior nível desde março de 2021, pressionada pelos juros nominais (+0,8 p.p.) e pela desvalorização cambial (+0,1 p.p.), parcialmente compensados pelo efeito do crescimento do PIB nominal (-0,5 p.p.). Em 12 meses, a DBGG saltou 5,5 p.p. do PIB, principalmente em função do pagamento de juros nominais (9,4 p.p.). A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou 0,1 p.p. do PIB, para 69,3% do PIB. Em 12 meses, a DLSP cresceu 5,2 p.p.
Governos regionais e estatais ajudam, mas não evitam déficit do setor público e alta da dívida. O governo central apresentou um déficit em agosto levemente menor que o registrado há um ano, refletindo ganhos com receitas relacionas a petróleo e uma pequena redução no ritmo de crescimento das despesas, em particular nas despesas discricionárias, que tiveram uma execução mais fraca neste mês – tendência que deve se repetir adiante. Os governos regionais, por sua vez, mostraram resultado positivo depois de três meses de déficits seguidos, o que pode ser explicado pelas maiores transferências aos estados e municípios, especialmente de royalties de petróleo, e uma possível desaceleração das despesas com a entrada em vigor de restrições eleitorais mais fortes. Já o resultado das estatais é sazonal e não indica uma melhora consistente, embora a tendência no ano se mostre mais favorável.
Finalmente, destacamos que a dívida bruta do governo geral voltou a crescer e atingiu seu maior valor desde março de 2021 – neste caso, em decorrência da pandemia. A persistência de déficits primários aliada a uma elevada taxa de juros implícita, cujo nível se mantém próximo ao verificado em 2016, deve manter a dívida pública em alta. Uma mudança dessa trajetória requereria uma melhora estrutural na política fiscal que permita gerar superávits primários significativos.
Olhando à frente, esperamos que o governo central registre déficit de R$ 40,4 bilhões (0,3% do PIB) em 2026, suportado principalmente pela forte alta dos preços do petróleo. Os governos regionais, por sua vez, devem apresentar superávit de R$ 1,8 bilhão (0,0% do PIB), abaixo do observado em 2025, em razão do maior gasto nos estados associado ao ciclo eleitoral, enquanto as estatais devem mostrar déficit de R$ 10,2 bilhões (0,1% do PIB), o pior resultado da série disponível, devido ao desempenho dos Correios. Assim, esperamos que o setor público consolidado registre déficit de aproximadamente R$ 48,2 bilhões (0,4% do PIB) em 2026, déficit nominal de R$ 1.243,4 bilhões (9,0% do PIB) e que a dívida bruta do governo geral alcance 83,6% do PIB.
Fonte e foto: Tiago Sbardeloto – XP Macro


