HomeDESTAQUEAs prioridades de Alexandre Curi no Congresso Nacional

As prioridades de Alexandre Curi no Congresso Nacional

A poucos dias de os paranaenses irem às urnas, o candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) concedeu sua última entrevista antes da eleição deste domingo. Em uma conversa voltada especialmente aos eleitores do interior do Estado, Curi faz um balanço da campanha, fala sobre o que ouviu ao percorrer o Paraná e apresenta as prioridades que pretende levar a Brasília caso seja eleito.

Na entrevista, o candidato aborda temas que marcaram sua trajetória política e a campanha ao Senado, como a relação com os municípios, a defesa de mais recursos federais para o Paraná e os investimentos em infraestrutura, saúde e desenvolvimento regional. Curi também responde sobre temas nacionais que estarão diretamente nas mãos do próximo Senado e explica como pretende transformar em atuação no Congresso a experiência acumulada ao longo de sua carreira na política paranaense.

A entrevista foi gravada na última quarta-feira (30/09) e está à disposição, na íntegra ou em trechos, para todos os veículos do estado.

Deputado, nós estamos chegando ao fim da campanha e depois de percorrer o Estado inteiro e conversar com milhares de pessoas, o que você ouviu do eleitor paranaense que mais marcou nessa campanha? 

Um grande sentimento de desconhecimento do paranaense em relação ao trabalho dos senadores do Estado do Paraná. Mais da metade dos paranaenses não lembram nem o nome dos senadores que representam o Estado nesse momento. E eu não falo isso com alegria. Falo com tristeza, porque se o Paraná tivesse tido o apoio dos senadores nos últimos anos, nós teríamos avançado ainda mais em políticas públicas importantes que transformam a vida das pessoas. E eu tenho percebido esse grande sentimento do paranaense em restabelecer uma força que o Paraná já teve no Senado há muitos anos, restabelecer um protagonismo que o Paraná já teve no Senado. Tivemos grandes senadores. Hoje nossos senadores estão ausentes, distantes, preocupados com esta aventura ideológica. E eu tive a oportunidade de conversar com muitos paranaenses. E eu quero agradecer muito aos paranaenses que me receberam nas suas casas, nas suas cidades, nas suas regiões. E quero dizer a esses paranaense, se eleito, o Paraná volta a ter protagonismo. Se eleito, o Paraná volta a ter um senador combativo, um senador que conhece o Paraná por inteiro, um senador municipalista que vai ser a voz dos prefeitos, que tem seus princípios e valores muito claros a favor da família, da vida, da inocência das crianças, do direito à propriedade privada, uma liberdade econômica, de uma liberdade religiosa e de uma educação sem ideologia por metodologia, para, na volta, ter um senador com força em Brasília. 

A mensagem da sua campanha foi menos Brasília e mais Paraná. Para quem mora no município paranaense, que é a maioria dos municípios do estado, são assim de menos de 20, menos de 10.000 habitantes às vezes, o que isso significa? 

Significa uma esperança a esses paranaenses que há muito tempo não recebem a visita, a presença ou algo feito por um senador do Paraná. Eu sempre defendi os municípios do Estado, sou municipalista, entendo que as coisas acontecem nas cidades e eu vou ser o senador presente nessas cidades. O senador que vai ouvir a essas pessoas que moram nos menores municípios do estado do Paraná, as que moram nos grandes municípios, que precisam de pautas importantes. Nós temos que debater a situação dos moradores de rua. Nós precisamos debater obras de infraestrutura nas grandes cidades. Nós precisamos debater investimentos do Ministério da Educação aqui no Paraná, com novos CMEIs, creches, escolas municipais. Nós precisamos debater a descentralização da saúde através dos hospitais filantrópicos e Santas Casas, através da revisão dessa tabela SUS, que é fundamental. Então, são muitos debates. O Paraná perdeu muito tempo, porque ficou sem representante no Senado. Nós vamos ter que recuperar esse tempo fazendo um trabalho dobrado para mostrar ao Paraná a importância do Senado da República. 

O senhor recebeu o apoio declarado de mais de 360 prefeitos. O que isso significa numa campanha para o Senado? E segundo, porque essa relação com os municípios é tão importante? 

É uma grande responsabilidade, mas é um reconhecimento desses prefeitos a um deputado que sempre foi municipalista, cuidou das cidades, cuidou das pessoas. E esse municipalismo é fundamental, porque tudo acontece nas cidades, é nas cidades que as pessoas vivem. E se você quer transformar uma cidade, tem que ser através de políticas públicas. Ninguém mora na União, ninguém mora no Estado. Todo mundo mora no município e é o município que tem que ter essa atenção especial. E eu vou ser o primeiro senador municipalista da história desse estado. 

Qual é o problema que os municípios do Paraná têm que Brasília pode resolver e que Brasília não sabe? 

Brasília não sabe, por exemplo, dos problemas de saúde do Estado do Paraná através dos nossos hospitais filantrópicos, que atendem 50% da população paranaense, 75% de toda a alta complexidade. Brasília não sabe que o Paraná tem a terceira maior rede de ensino público do Brasil. E nós precisamos construir novas creches, CMEIs, escolas municipais. Brasília tem que tratar o Paraná como a quarta economia do Brasil, com obras de infraestrutura, com investimentos em infraestrutura, ferrovias, rodovias, pontes. É uma pauta importante e o Paraná vai ter que resgatar esse protagonismo. O Paraná vai voltar a entrar no mapa do governo federal e ser tratado como essa potência que nós somos. Quarta economia, um PIB acima de R$ 800 bilhões, o Estado que mais gera empregos do Brasil. 

O senhor citou a questão da infraestrutura. Que grandes obras Brasília está devendo para o Paraná?

A Nova Ferroeste, investimento em ferrovia. A ponte. Mato Grosso do Sul, Paraná. Uma nova ligação ao Porto de Paranaguá da BR-101 à BR-277, contornos importantes em cidades importantes do estado do Paraná. São muitas obras de infraestrutura. Terceira pista do aeroporto de Curitiba. Então, eu conheço e tenho esse planejamento na cabeça, de quais são as obras de infraestrutura que o Paraná precisa. É sentar com o governo federal, dialogar e mostrar a importância de um Estado que tem o maior crescimento econômico do Brasil, o maior crescimento industrial. E todo esse crescimento tem que ser acompanhado do que? De infraestrutura. 

Essa parte da defesa do Paraná é um dos motes da sua campanha. Mas o senhor também deixa claro que em Brasília também que tem que discutir, formular leis, fiscalizar os demais poderes e, principalmente, atuar nessa questão de competição, de guerra institucional que está acontecendo em Brasília. Como é que o senhor se posiciona aí com o que está fazendo com o Supremo Tribunal Federal? 

Eu tenho muita experiência legislativa. Aprovei 250 projetos de lei na Assembleia, tenho experiência administrativa e tornei a Assembleia do Paraná mais transparente do Brasil, mais econômica, mais inovadora. A mais sustentável é a Assembleia mais próxima da população. A Casa do Povo tem que estar onde o povo está. E foi isso que eu fiz através da Assembleia Itinerante. E no Senado, farei da mesma forma, aprovando bons projetos para o Brasil e fiscalizando o Poder Executivo, mas acima de tudo, fazer o que nós fizemos aqui no Paraná, pacificar os poderes, restabelecer a autonomia, a competência e a independência dos poderes. Os poderes são independentes, mas eles têm que viver em harmonia. E nós estamos vivendo em Brasília a mais grave crise institucional da história desse país. Nos últimos 100 anos não se viu uma crise tão grave entre as instituições. E nós temos que deixar muito claro de que há uma grande parte da população indignada com os excessos e abusos do Supremo Tribunal Federal. E comigo não é diferente. Eu não posso aceitar o Supremo Tribunal Federal interferindo, suspendendo numa decisão monocrática uma lei aprovada por mais de 500 deputados federais. Como também não podemos aceitar um ministro supremo respondendo diversas denúncias de irregularidades, onde sua esposa advoga num caso que o ministro era relator e recebe honorários de mais de R$ 129 milhões. Então o discurso combativo é importante e eu farei esse discurso combativo, mas eu quero ser efetivo na prática. Proposta de Emenda Constitucional. Eu fiz isso na Assembleia, aprovei o Código de ética que pune os parlamentares, o Conselho de Ética, onde tem segurança jurídica. 

E nós temos que aprovar essa proposta de emenda constitucional, com mandato para ministro, com quarentena após a aposentadoria, com transparência no portal do Supremo, das palestras proferidas pelos ministros. Proibição de ministro fazer palestra para empresa que tem interesse jurídico no Supremo. Vedação de parentes de ministros até terceiro grau de advogarem na Corte, uma fiscalização externa para o Supremo Tribunal Federal. E você mudar a regra de escolha. Não pode mais ser de livre escolha do presidente. Nós podemos fazer uma proporcionalidade, como é nos Tribunais de Justiça dos Estados. Das 11 vagas, sete O Presidente da República pode escolher, mas dentro da magistratura desembargador, juiz, ministro do STJ, Quem está dentro do Judiciário, da magistratura, que fez concurso público. Três vagas para OAB. Tribunais de Justiça têm vagas para a OAB através do Quinto Constitucional. Advogados renomados participam de uma eleição interna na OAB. Dos três mais votados, o presidente escolhe um. E uma lista tríplice do Ministério Público nos mesmos moldes. Lista tríplice de Procuradores da República e o Presidente da República escolhe um. Acaba com a indicação política e você tendo regras claras, você vai coibir e acabar com os excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal. 

E deixar muito claro, aqui, meu voto será favorável ao impeachment do Alexandre de Moraes. Por quê? Porque o senador tem que votar como um juiz baseado em provas. E há provas gravíssimas, concretas, claras, contra o ministro Alexandre de Moraes. O presidente do Senado tem que pautar o impeachment e se lá estiver, meu voto é favorável ao impeachment do Alexandre de Moraes e de qualquer ministro que tenha provas concretas de irregularidades cometidas por esses ministros. 

Outro tema que o senhor debateu bastante nessa campanha foi Segurança pública. O que o Senado pode fazer? Qual é a sua proposta nessa área? 

Aumentar as penas. O Paraná fez grandes investimentos em segurança pública. O problema não é prender, é soltar demais. Se a gente não endurecer as penas nesse país, nós vamos ter, infelizmente, pessoas cumprindo um, dois anos de pena e voltando para as ruas e praticando novos crimes. Então nós precisamos endurecer as penas para estuprador, para latrocínio, para feminicídio, para crimes hediondos. E o Senado tem esse papel de debater uma nova legislação penal e diminuir a maioridade penal. Nós estamos vendo aí os jovens de 16, 17 anos sendo cooptados pelo crime organizado, porque o crime organizado sabe que eles não têm responsabilidade penal. Então o Senado tem que imediatamente debater uma nova legislação penal, endurecer as penas e aí sim, nós teremos, através de investimentos em segurança pública, um resultado na diminuição de criminalidade. 

Essa campanha ficou muito marcada pela polarização, pela nacionalização e pelos discursos radicais. Como quebrar isso e conseguir convencer o eleitor a votar numa opção mais ponderada? 

Diálogo, com diálogo. O eleitor quer saber os princípios e valores do seu candidato e eu deixei muito claro. Fui o primeiro candidato a deixar muito claro os meus princípios e valores e vou preservá-los ao longo de toda a minha carreira política, ao longo de toda a minha vida. Eu, quando sou perguntado desta polarização, eu tenho respondido que essa polarização prejudicial ao país. Por quê? Porque não se debate mais os temas do Brasil. A Segurança pública por exemplo, com 34% da população sob o domínio de facções e milícias. Saneamento básico. No Nordeste, cidades com menos de 30% de saneamento básico. Os programas habitacionais. O Paraná deu um exemplo, 140 mil  casas populares. Mas nós não conseguimos fazer um grande programa habitacional no Brasil. A questão da saúde, essa descentralização da saúde, Então, princípios e valores claros, esse sempre foi os meus objetivos. Agora, fora dessa polarização, essa ideologia radical não resolve o problema das pessoas, não coloca prato de comida na mesa da dona Maria. O que resolve são políticas públicas e eu vou estar no Senado debatendo políticas públicas com meus posicionamentos claros contra os abusos do Supremo, a favor do impeachment. Mas não entrando nessa polarização. O Senado precisa voltar a debater os problemas do Brasil. 

Mesmo se tivermos um presidente da República ou até um governador que pensa diferente do senhor?

É por isso que sou diferente dos  outros. Por quê? Porque eu penso e dialogo com quem pensa como eu penso. E eu dialogo com quem pensa diferente de mim. Eu respeito o contraditório. Eu não posso chegar aqui e dizer que eu sei tudo. Pelo contrário, eu quero aprender. Então o diálogo é fundamental. Dividir tarefas é fundamental. Reconhecer que não tem salvador da pátria na vida pública é importante. Então eu vou dialogar com todos. Claro que com a minha pauta, com meus princípios, valores. No processo eleitoral, com o meu grupo político, com pessoas que aí sim, pensam como eu penso. Mas no governo você tem que dialogar com todos e o Paraná terá um senador que vai dialogar com todos, mas com seus posicionamentos muito claros. 

Para encerrar, já que essa é a última entrevista da campanha. Queria saber se o senhor tem alguma coisa que o senhor ainda não disse para o paranaense antes dele ir à urna no domingo? 

O que eu quero dizer aos paranaenses? A importância de participar do processo eleitoral. Nós tivemos, infelizmente, nas eleições de 2022, na eleição presidencial, 32 milhões de brasileiros que não foram votar. Isso impactou muito no resultado da eleição. Nós estamos vivendo essa indignação com o Supremo Tribunal Federal, quase 80% da população indignada. Mas isso não pode gerar um voto de protesto. Tem que gerar um voto consciente. O voto para deputado estadual, para federal, para governador, para presidente da República e para senador. E, para senador, tem que ter essa análise mais complexa, porque é o Senado que é o poder que pode enfrentar esses excessos e abusos do Supremo Tribunal Federal. E é muito claro essa posição que eu tomei aqui há muito tempo. Já tenho dito que voto a favor do impeachment de Alexandre Moraes. Há muito tempo tenho dito que o Senado precisa se reunir e pautar uma proposta de emenda constitucional, colocando regras claras ao Supremo Tribunal Federal. Então é o que eu quero dizer nessa reta final. Você que está indignado, você que está insatisfeito. É importante você votar. São dois senadores. É importante você escolher. O primeiro voto é importante, mas o segundo voto, porque o segundo voto pode impactar no resultado das eleições. Então, essa análise no primeiro e no segundo voto, para que os senadores, que têm princípios e valores, têm posições claras, mas, acima de tudo, os senadores que têm trabalho. A maioria dos candidatos ao Senado têm mandato, todos têm que prestar contas. E foi isso que eu fiz durante a eleição. Quero agradecer muito aos paranaenses e, nessa reta final, pedir o seu voto, o voto da sua família para o Paraná voltar a ter um senador combativo, um senador que conhece o Paraná e voltar a ter protagonismo no Senado. Alexandre Curi senador 100.

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS