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Faep alerta para crise no campo com juros altos, inadimplência e guerra no Oriente Médio

Embora o agronegócio tenha sido, nas últimas quatro décadas, o principal responsável pelo desempenho da economia paranaense — participando hoje com 36% do PIB do Estado —, ainda existem gargalos que travam e colocam em risco todo o setor. A inadimplência e as taxas de juros, que chegam a 23% nas instituições financeiras, estão entre os principais problemas apontados pelo presidente do Sistema Faep e coordenador do G7, Ágide Eduardo Meneguette.


“Em 30 dias visitamos 36 cidades para ouvir sindicatos e produtores sobre as dificuldades enfrentadas em relação às dívidas. Todos foram unânimes em afirmar que a situação é crítica, principalmente por causa das perdas provocadas por secas e excesso de chuvas. As dívidas contraídas nos bancos se tornaram impagáveis”, afirmou Meneguette. “Queremos uma revisão tarifária para salvar o produtor inadimplente.”

Foto/Assessoria Faep


Outra preocupação do setor, segundo o presidente da Faep, é a discussão sobre a jornada 6×1, que poderá impactar diretamente o sistema produtivo, que já enfrenta escassez de mão de obra.


“Podemos discutir esse tema, desde que não seja da forma como está sendo colocado, principalmente em período eleitoral. Isso pode gerar desemprego e ampliar a informalidade no país”, pontuou.


O fornecimento de energia elétrica, operado pela Copel⁠, também aparece entre as principais demandas do agronegócio paranaense.

Foto/FAEP


“Hoje temos uma energia sem qualidade, que em determinadas regiões produtoras provoca enormes prejuízos, especialmente nos setores de aves e peixes”, disse Meneguette.
Segundo ele, em Tupãssi, um produtor perdeu nove mil quilos de peixe e acumulou prejuízo estimado em R$ 9 milhões em razão das quedas de energia. Já em Quedas do Iguaçu, um produtor de aves perdeu 20 mil cabeças por causa da oscilação da rede elétrica. “E quem paga esses prejuízos?”, questionou. “No fim, tudo fica na conta do produtor.”


A Reforma Tributária também preocupa o setor e é considerada por Meneguette o “calcanhar de Aquiles” do agronegócio. O Sistema Faep vem promovendo cursos de orientação sobre emissão de notas fiscais e recomenda que os produtores procurem apoio contábil especializado.


Influência da guerra na produção agropecuária


Meneguette afirmou ainda que o setor agropecuário já sente os reflexos da guerra no Oriente Médio, principalmente no fornecimento de petróleo e derivados ao mercado internacional.
DIESEL
Cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo passam pelo Estreito de Hormuz;
A alta no preço dos combustíveis já impacta diretamente a logística do agronegócio e eleva o custo do frete rodoviário;
Desde o fim de fevereiro, ainda antes do agravamento do conflito, o diesel acumulou aumento médio de 30% no Paraná, considerando o preço de revenda;
O encarecimento do combustível aumenta os custos de produção dentro da porteira e pressiona toda a cadeia logística;
O diesel é essencial para a produção agropecuária, especialmente nas atividades mecanizadas;
O combustível está presente em praticamente todas as etapas da produção rural e também no transporte daquilo que é produzido no campo;
O frete rodoviário já registra aumento, com impacto direto no preço final dos produtos.
FERTILIZANTES
Aproximadamente 30% dos fertilizantes comercializados no mundo têm relação direta com a região do Golfo;
O preço da ureia já subiu mais de 40% no mercado internacional;
Rússia e China, dois dos maiores fornecedores globais de fertilizantes, vêm restringindo as exportações do produto;
Produtores rurais podem enfrentar dificuldades na compra de insumos para a safra 2026/27;
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome;
Somente em 2025, o país adquiriu 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes no mercado internacional.

Ao falar sobre o futuro do agronegócio, Meneguette afirmou que o produtor rural precisará de resiliência para atravessar o atual cenário econômico.
“O produtor terá que renegociar dívidas sem aventuras e com os pés no chão”, concluiu.


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