Ao juntar cerca de 280 prefeitos em sua fazenda Ubatuba para uma pelada seguida de churrasco — regada a discursos tão fartos quanto a carne — o governador Ratinho Junior não organizou apenas um encontro informal. Montou, na prática, um palanque antecipado, com plateia selecionada e roteiro cuidadosamente ensaiado.
Em política, não existe amistoso. E aquela pelada teve mais de treino de guerra do que de confraternização.
O movimento vem na medida exata para confrontar o barulho das pesquisas que ensaiam colocar Sergio Moro como protagonista da sucessão no Palácio Iguaçu. Ratinho respondeu como manda o manual de quem conhece o jogo: não com números, mas com gente. Prefeito, no Paraná, ainda vale mais que gráfico — e ele sabe disso.
Após o apito final, veio o discurso — emotivo na forma, cirúrgico no conteúdo. Ratinho convocou união em torno de Sandro Alex, seu nome para a continuidade, e tratou de valorizar publicamente Alexandre Curi como o senador “municipalista”. Tradução livre: alguém que conhece o caminho das urnas passando pelas portas das prefeituras.


