A rejeição pública de Rafael Greca à possibilidade de ser vice de Sandro Alex produziu um efeito político muito mais profundo do que uma simples negativa. Ao afirmar que ocupar a vice seria uma “negação da minha história” e que a questão envolve “experiência e competência”, o ex-prefeito de Curitiba estabeleceu uma comparação implícita que atinge diretamente o candidato escolhido por Ratinho Junior.
Quando Greca fala em história política, ele fala de alguém que governou a capital do Paraná por três mandatos, acumulou experiência administrativa, liderou projetos de transformação urbana reconhecidos nacionalmente e construiu uma imagem de gestor. Ao dizer que não aceita ser vice, ele não apenas valoriza sua própria trajetória; ele sugere que seria incoerente um político com esse currículo se subordinar a alguém que jamais exerceu uma função executiva de mesma dimensão. A mensagem é clara: quem tem mais experiência não deveria ocupar o banco do carona.
Escolhido de Ratinho Junior
A referência à competência também carrega peso político. Na prática, Greca questiona o principal argumento usado pelos defensores da candidatura de Sandro Alex: o apoio do governador Ratinho Junior. Afinal, apoio político não substitui currículo administrativo. Ao colocar a discussão no terreno da experiência e da capacidade de gestão, Greca desloca o debate do campo da articulação política para o da qualificação técnica. Nesse cenário, Sandro Alex deixa de ser o “escolhido de Ratinho” e passa a ser comparado diretamente com alguém que governou a maior cidade do estado por mais de uma década.


