Com enredo inspirado no yin-yang, a escola apresenta dualidades humanas e culturais no desfile na Marechal Deodoro
Acadêmicos da Realeza apresenta enredo sobre dualidades no carnaval de Curitiba, buscando o título com samba-enredo inspirado no yin-yang.
Acadêmicos da Realeza apresenta enredo inspirado no yin-yang no Carnaval de Curitiba
No desfile da Marechal Deodoro no sábado, 14 de fevereiro, a Acadêmicos da Realeza destacou-se com um enredo inspirado no conceito oriental do yin-yang, explorando as dualidades que permeiam o cotidiano humano, a cultura e o carnaval. A escola propôs uma reflexão profunda sobre a coexistência e a complementaridade dos opostos, como dia e noite, bem e mal, razão e emoção, transmitidos através de uma narrativa visual rica e simbólica.
Barbara Murden, diretora de harmonia da escola, afirmou que o objetivo é apresentar o conceito de dualidade de forma leve, celebrando o carnaval como um espaço de transformação e alegria. Cerca de 450 componentes desfilaram, com 12 alas e três carros alegóricos, em um espetáculo que contou também com o trabalho de mais de 50 pessoas nos bastidores.
O significado do samba-enredo e sua composição coletiva
O samba-enredo “Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um” foi escolhido em um concurso nacional com sete composições concorrentes. A letra, fruto da colaboração de 14 compositores, enfatiza a transformação constante e a existência mútua dos contrários. O samba estabelece um paralelo entre as contradições humanas e o carnaval, destacando como, na avenida, o pobre pode virar rei e o luxo convive com o lixo, revelando a essência do carnaval como um encontro de opostos.
Estrutura e preparação do desfile: elementos que reforçam o tema
O processo de escolha do tema foi coletivo, envolvendo sugestões dos integrantes e decisão final da diretoria. Os carnavalescos tiveram o desafio de transformar esse conceito abstrato em uma narrativa visual clara e envolvente, com fantasias e alegorias que ilustram o equilíbrio entre forças distintas, como o tabuleiro de xadrez, símbolo recorrente no desfile.
Além dos 450 componentes, a preparação mobilizou mais de 50 pessoas entre ateliê, quadra e barracão, evidenciando a grandiosidade e complexidade do espetáculo. A combinação de preto e branco guiou a estética do desfile, reforçando o contraste e a complementaridade dos opostos.
Histórico e relevância cultural da Acadêmicos da Realeza em Curitiba
Fundada em março de 1997 e batizada pelo sambista Neguinho da Beija-Flor, a Acadêmicos da Realeza é uma das escolas de samba mais tradicionais de Curitiba. Com 11 títulos no carnaval local, incluindo o mais recente em 2024, a escola mantém sua posição no grupo especial sem jamais ter sido rebaixada.
Seus enredos geralmente valorizam a memória da cidade, do Paraná e personagens relevantes da cultura local. Além dos desfiles, a escola promove ações culturais como oficinas de percussão e participação em eventos da cena curitibana, contribuindo para a formação e valorização cultural.
O carnaval como espaço de transformação e encontro de opostos
O desfile da Acadêmicos da Realeza evidenciou como o carnaval é uma celebração que transcende a festa popular, funcionando como um momento de reflexão sobre as dualidades da vida e da sociedade. Através de símbolos, música e coreografia, a escola transmitiu a ideia de que as contradições coexistem e se complementam, criando um equilíbrio dinâmico.
Essa abordagem reforça a importância do carnaval como manifestação cultural capaz de unir pessoas e celebrar a diversidade, ressaltando a riqueza dos opostos e a constante transformação presente na experiência humana.
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Entre o preto e o branco, tudo é dois, tudo é um – esse é o mote que guiou a Acadêmicos da Realeza no Carnaval de Curitiba, onde o equilíbrio entre contrários foi representado com força e beleza, reafirmando a escola como protagonista da festa e da cultura local.
Fonte: www.curitiba.pr.gov.br


