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Ney Leprevost vai propor a “CPI das BETs” no Paraná. Parlamentar quer saber quem lucra com a destruição das famílias e averiguar suspeitas de manipulação

Só em 2025, as BETs movimentaram cerca de R$ 220 bilhões no Brasil; casos de dependência e problemas financeiros causados pelos jogos explodem no Paraná

Curitiba, 01 de setembro de 2026 – Mesmo durante o recesso eleitoral, o deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos) está começando a mobilizar colegas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para viabilizar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atuação das BETs no Paraná. O parlamentar vai colher assinaturas para instalar a chamada “CPI das BETs”, que pretende levantar quais empresas operam no Paraná, quem são seus proprietários e se as plataformas cumprem as legislações nacional e estadual.

A iniciativa ocorre em meio ao crescimento expressivo do setor de apostas no Brasil e à preocupação com seus impactos financeiros e sociais. Dados divulgados em estudo recente apontam que o volume apostado pelos brasileiros em 2025 chegou a cerca de R$ 220 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 37 bilhões permaneceram nas plataformas. Outra pesquisa, realizada com mais de 2 mil pessoas, apontou que 63% dos entrevistados acreditam que as apostas estão “acabando com as famílias”. Atualmente, o Ministério da Fazenda informa que 85 empresas foram habilitadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para explorar apostas de quota fixa no país.

Leprevost afirma que a preocupação também aparece diretamente nas ruas de Curitiba. Segundo o deputado, durante visitas aos bairros da capital, tem ouvido relatos de pessoas desesperadas com familiares que estariam perdendo grandes quantias em apostas. A regulamentação federal já estabeleceu mecanismos para tentar reduzir o endividamento dos jogadores, como a proibição de crédito para apostas, de bônus de entrada e do uso de cartão de crédito. Desde 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente, e os sites autorizados pelo governo federal devem utilizar a extensão “.bet.br”.

Caso seja instalada, a CPI pretende aprofundar justamente a fiscalização desse mercado no Paraná. Entre as questões levantadas por Leprevost estão quais BETs efetivamente atuam no estado, quem são seus proprietários, quanto faturam, quais impostos recolhem, quantos empregos geram e quais órgãos são responsáveis por fiscalizá-las. O deputado também quer colocar sob análise os mecanismos utilizados para prevenir e identificar eventuais manipulações de resultados esportivos e saber como são realizadas auditorias capazes de assegurar a integridade das apostas. Atualmente, a fiscalização federal é realizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas, que utiliza o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) para regulação, monitoramento e fiscalização do setor.

A discussão ganha ainda mais peso diante das cifras movimentadas pelo mercado e das recentes investigações envolvendo empresas do segmento. Somente um grupo empresarial do setor investigado nesta semana teria movimentado mais de R$ 5 bilhões em 2025, segundo informações da Receita Federal divulgadas pela imprensa. Com a coleta de assinaturas avançando durante o recesso, Leprevost pretende levar o tema para o centro das discussões da Assembleia Legislativa na retomada das sessões. “A expectativa é que a proposta da ‘CPI das BETs’ provoque um amplo debate sobre fiscalização, tributação, integridade esportiva e, principalmente, os impactos econômicos e sociais da expansão das apostas on-line entre os paranaenses”, completa Ney.

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