Em março, duas datas reforçam a importância de ampliar o conhecimento sobre tipos de câncer que ainda são pouco discutidos, apesar do impacto na saúde da população. O dia 21 de março marca o Dia de Conscientização do Câncer Anal, tumor que surge no canal anal e tem forte relação com a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano, o HPV. Já o dia 27 de março é o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, um dos tumores de maior incidência no Brasil e cujo diagnóstico precoce pode reduzir significativamente a mortalidade.
“O câncer anal, especialmente o associado ao canal anal, é uma condição considerada rara, mas sua frequência tem aumentado nos últimos anos e está intimamente ligada à infecção persistente pelo HPV”, explica a Dra. Rosane do Rocio Johnsson, oncologista clínica do Instituto de Oncologia do Paraná, o IOP. Estudos internacionais apontam que mais de 90% dos casos de câncer anal estão associados ao vírus, principalmente aos genótipos de alto risco, também relacionados ao câncer do colo do útero e a outros tumores de origem viral.
Embora sejam doenças com origens, fatores de risco e estratégias de rastreamento distintas, tanto o câncer anal quanto o câncer colorretal podem apresentar sinais iniciais que muitas vezes são subestimados. No caso do câncer anal, é comum a presença de sangramento, dor, coceira ou alterações locais que podem ser confundidas com condições benignas, como hemorroidas. Por envolver uma região ainda cercada de constrangimento e desinformação, esses sintomas acabam sendo negligenciados, o que pode atrasar o diagnóstico.
A Dra. Rosane destaca que “a consciência sobre esses sinais e a busca por avaliação especializada são fundamentais para identificar a doença em estádios iniciais, quando as chances de tratamento bem-sucedido e preservação da qualidade de vida são maiores”.
A vacinação contra o HPV é um dos pilares mais eficazes na prevenção do câncer anal e de outros tumores associados ao vírus, incluindo aqueles que acometem o colo do útero, vulva e pênis. Disponível gratuitamente no calendário nacional de imunização, a vacina protege antes da exposição ao vírus e reduz de forma significativa o risco de infecção persistente, principal fator para o desenvolvimento dessas neoplasias.
Já no câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, a prevenção está diretamente relacionada ao rastreamento adequado e aos hábitos de vida. A colonoscopia é amplamente reconhecida como uma ferramenta eficaz tanto para diagnóstico quanto para prevenção, pois permite a identificação e retirada de pólipos antes que evoluam para câncer.
Alterações no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, dor abdominal persistente, mudança no padrão evacuatório ou perda de peso sem causa aparente são sinais que merecem atenção. Embora possam estar associados a doenças benignas, também podem indicar câncer colorretal, o que reforça a importância da avaliação médica.
“Educar a população sobre sinais de alerta, vacinação e exames de rastreamento é parte essencial do cuidado moderno em oncologia. Não falamos apenas de tratar a doença, mas de agir antes que ela avance. Informação é uma ferramenta poderosa de prevenção”, reforça a Dra. Rosane Johnsson.
Março, portanto, representa uma oportunidade estratégica para ampliar o debate, desmistificar tabus e incentivar práticas de saúde baseadas em evidência científica. Falar sobre esses temas com clareza e responsabilidade é um passo decisivo para reduzir o impacto de doenças que, quando diagnosticadas precocemente, têm maiores chances de controle e cura.


