O avanço da inteligência artificial tem ampliado o debate sobre o futuro da gestão urbana no Brasil. Em um cenário de cidades cada vez mais complexas, gestores públicos, especialistas e empresas de tecnologia têm buscado soluções capazes de transformar dados em ferramentas práticas para o planejamento urbano. Esse será um dos temas presentes na 7ª edição do Smart City Expo Curitiba 2026, considerado o maior evento de cidades inteligentes das Américas, que acontece entre os dias 25 e 27 de março, na Arena da Baixada.
Com expectativa de reunir mais de 23 mil participantes, além de representantes de cerca de 600 municípios, o encontro reúne governos, universidades, startups e empresas de tecnologia para discutir caminhos que tornem as cidades mais eficientes, sustentáveis e conectadas. Entre os temas em destaque estão mobilidade urbana, governança digital, sustentabilidade, planejamento territorial e o uso de inteligência artificial como ferramenta estratégica para melhorar a infraestrutura das cidades.
Nesse contexto, o uso de dados em tempo real para orientar a zeladoria urbana começa a ganhar protagonismo. Um exemplo desse movimento é o trabalho desenvolvido pela empresa brasileira Mapzer, especializada em monitoramento urbano por meio de inteligência artificial embarcada em veículos. A tecnologia utiliza câmeras e sensores inteligentes capazes de identificar automaticamente até 36 tipos de irregularidades urbanas, como falhas na sinalização, acúmulo de lixo, fios soltos, buracos no asfalto, desníveis em calçadas e problemas de iluminação pública.
O sistema percorre as ruas das cidades realizando um mapeamento contínuo da infraestrutura urbana. As imagens captadas são processadas por algoritmos de visão computacional e transformadas em dados georreferenciados, que alimentam uma plataforma digital de gestão. A partir dessas informações, gestores públicos passam a ter uma visão detalhada do território urbano, o que permite direcionar equipes de manutenção de forma mais estratégica e antecipar demandas.
Segundo Pierre Damasio, gerente comercial da Mapzer, a inteligência artificial tem ajudado a mudar a lógica da zeladoria pública no país. “Quando o gestor passa a trabalhar com dados concretos e atualizados sobre o que acontece nas ruas, a gestão deixa de ser apenas reativa. A tecnologia permite identificar padrões e antecipar demandas, o que melhora o planejamento das equipes e a aplicação dos recursos públicos”, explica.
Em 2025, a tecnologia da empresa ultrapassou a marca de 2,3 milhões de ocorrências mapeadas em 20 municípios, reforçando sua presença em mais de 200 cidades brasileiras e impactando diretamente a rotina de cerca de 5 milhões de cidadãos. Entre os principais registros estão problemas de pavimentação, irregularidades em calçadas, falhas de sinalização e descarte irregular de resíduos.
Os dados coletados pelos veículos são organizados em relatórios e painéis analíticos que permitem acompanhar a evolução das ocorrências ao longo do tempo. Com isso, as prefeituras conseguem estabelecer prioridades, monitorar resultados e planejar intervenções com mais precisão.“A cidade é um sistema dinâmico. Quando conseguimos observar esse sistema com dados organizados, fica mais fácil entender onde estão os gargalos e quais ações precisam ser priorizadas. O objetivo da tecnologia é justamente oferecer essa visão mais clara do território urbano”, afirma Damasio.
A aplicação da inteligência artificial na infraestrutura urbana também acompanha uma tendência internacional. Um relatório da consultoria Deloitte aponta que o uso estratégico de IA ao longo do ciclo de vida da infraestrutura pode evitar cerca de US$ 70 bilhões em perdas anuais com desastres naturais até 2050.
No Brasil, onde muitas cidades ainda dependem de vistorias manuais ou de reclamações pontuais para identificar problemas urbanos, a utilização de sistemas automatizados de monitoramento representa uma mudança importante na forma de planejar políticas públicas. “A tecnologia não substitui o trabalho das equipes municipais, mas amplia a capacidade de gestão. Quando os dados chegam organizados e geolocalizados, o poder público consegue agir com mais rapidez e transparência”, complementa Damasio.
A experiência da empresa também demonstrou o potencial do monitoramento urbano em situações emergenciais. Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, a Mapzer disponibilizou sua tecnologia para auxiliar no mapeamento de áreas afetadas em cidades como Porto Alegre e São Leopoldo. Em cerca de dois meses de operação, foram registradas mais de 140 mil ocorrências, incluindo danos estruturais, acúmulo de entulhos e obstruções em vias públicas.
Além de apoiar ações emergenciais, o uso contínuo de dados permite que as prefeituras construam um histórico detalhado da infraestrutura urbana. Esse conjunto de informações pode orientar projetos de mobilidade, acessibilidade, drenagem urbana e planejamento territorial.
Para Damasio, eventos como o Smart City Expo Curitiba têm papel importante ao aproximar gestores públicos, empresas e especialistas que trabalham com inovação urbana. “Esses encontros ajudam a ampliar o debate sobre como as cidades podem usar tecnologia de forma prática no dia a dia da gestão. O mais importante é mostrar que dados e inteligência artificial podem ser aliados para tornar os serviços públicos mais eficientes e melhorar a vida das pessoas”, conclui.
Realizado com chancela internacional da Fira Barcelona e organizado pela empresa brasileira iCities, o Smart City Expo Curitiba reúne anualmente especialistas de diferentes países para discutir soluções voltadas ao futuro das cidades. A edição de 2026 tem como tema “Cidades como Lugares para Inovar, Criar e Vivenciar”, reforçando a ideia de que inovação urbana depende não apenas de tecnologia, mas também de colaboração entre governos, empresas e sociedade.
A Mapzer é uma empresa brasileira que por meio de uma inteligência artificial acoplada em veículos faz o reconhecimento e mapeamento das necessidades de manutenção dos espaços urbanos, identificando em tempo real ocorrências que impactam diretamente na vida do cidadão.


