O “pau comeu” nesta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa. Zé do chapéu, um xerife que arruma confusão dia sim e outro também, e que, ao ver o barco afundando pulou para o lado do senador Sergio Moro, contra o líder da oposição, o combativo Arilson Chiorato, líder do PT na casa. Um dia antes, o advogado Jeffrey Chiquini e o deputado Renato Freitas também quase transformaram a sessão em um ringue de UFC.
Bem, a política no Paraná nunca foi terreno para principiantes — mas, convenhamos, anda mais para ringue do que para plenário. Na Assembleia Legislativa, o roteiro é daqueles que fariam corar qualquer dramaturgo: articulação de bastidor, traição mal disfarçada e deputados com o dedo já coçando no gatilho da debandada.
Tudo começou quando o governador Ratinho Junior resolveu tirar da cartola o nome de Sandro Alex como seu ungido à sucessão. A tal “bala de prata”, guardada a sete chaves, mais pareceu um rojão estourando no colo da própria base. O que era para unificar, rachou. E rachou feio.
Deputados do PSD, até então fiéis escudeiros, passaram a ensaiar um movimento digno de novela das nove: sair pela porta da frente do governo e reaparecer, sem cerimônia, no colo da oposição. Tudo muito rápido, muito intenso — e nada discreto.
Do outro lado, a oposição, que já não é exatamente um exemplo de harmonia celestial, viu seu líder flertar com a ideia de “pular de banda”. Quando percebeu que o movimento poderia custar caro, recuou com um brado que misturou orgulho e desespero: “Então seremos a oposição raiz”. Tradução livre: ninguém sabe muito bem para onde vai, mas vai com convicção.
O clima? Bélico. Olhar atravessado, voz alterada e um empurra-empurra que por pouco não evolui para algo mais… físico. Faltou pouco para trocar o regimento interno por luvas de boxe.
No fim das contas, fica a sensação de que, no Paraná, a política deixou de ser xadrez faz tempo. Virou UFC — sem árbitro, sem regra clara e com plateia cada vez mais desconfiada de quem, afinal, está lutando por ideias… e quem só não quer perder o cinturão do poder.
Mas, apesar de tudo, foi icônico. O deputado Luiz Claudio Romanelli, líder da situação, disse que poderia emprestar alguns deputados do PSD para a “nova” oposição, já que deputados do partido estão revoltados com a decisão do governador.
Um deles, Moacyr Fadel, por exemplo, disse que não fará campanha para o Sandro Alex e, no microfone, disse que se soubesse dessa articulação teria saído do partido. Se sentiu enganado e colocou a culpa no deputado Gugu Bueno, primeiro-secretário da casa.


