Para comemorar o Dia da Mediação – 5 de maio – a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Paraná), estará realizando, nesta data, o Terceiro Congresso Paranaense de Negociação e Mediação, na sede da OAB-Paraná, em Curitiba.
O tema do painel de abertura do evento é “O Legado da Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça, do Código de Processo Civil, da Lei de Mediação nº 13.140/2015 e do Dia do Mediador Paranaense para a Advocacia do Futuro”.
“A mediação não é apenas um método de resolução de conflitos. Tratá-la assim é diminuir o seu alcance. A mediação é, na prática, uma mudança de mentalidade — e, mais do que isso, uma correção de rumo em um sistema de justiça que, por décadas, se acostumou a decidir sem necessariamente pacificar”, explica o desembargador José Laurindo de Souza Netto, convidado para palestrar na abertura do Congresso.
De acordo com o desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, “onde antes predominava o confronto, a mediação impõe o diálogo. Onde a regra era a sentença, surge a construção. E essa inversão não é detalhe técnico — é transformação estrutural”.
O Dia do Mediador, celebrado em cinco de maio, não deveria ser apenas uma data protocolar no calendário do Judiciário. É um lembrete incômodo — e necessário — de que a justiça tradicional, sozinha, não dá mais conta. Ao defender a mediação como um caminho mais humano, eficiente e comprometido com a paz social, o desembargador aponta para algo que muitos ainda resistem em admitir: “decidir não é o mesmo que resolver”.
Ao destacar a iniciativa da OAB-Paraná, José Laurindo, que comemora aniversário no dia cinco de maio, disse que “celebrar o mediador é reconhecer que a verdadeira justiça não se impõe por autoridade, nem se sustenta apenas em decisões formais. Justiça de verdade é aquela que é construída pelas próprias partes, com responsabilidade compartilhada e resultados que fazem sentido na vida real — não apenas no papel”.
Para o professor de Solução de Conflitos da Universidade de Curitiba (UniCuritiba), “mais do que um instrumento, a mediação é um freio na cultura do litígio automático, da judicialização excessiva e da crença quase mecânica de que todo conflito precisa de um vencedor e um derrotado. Não precisa. E, muitas vezes, não deveria”.
Neste cenário, a mediação deixa de ser alternativa elegante e passa a ser urgência. Uma justiça que não escuta se distancia. Uma justiça que não aproxima falha. E uma sociedade que não aprende a dialogar continuará refém de conflitos que poderiam — e deveriam — ser resolvidos de outra forma, pontua.
“A mediação não é apenas sobre resolver disputas. É sobre evitar que elas se tornem guerras”, ensina o desembargador.

O convite para que o desembargador José Laurindo participe do Terceiro Congresso Paranaense de Negociação e Mediação foi feito pela Comissão de Negociação e Mediação da OAB Paraná. A palestra de abertura será realizada no dia 5 de maio, das 9h às 9h45 na sede da OAB. O Congresso será nos dias 5 e 6 de maio e objetiva promover o debate de temas relevantes como a prática da negociação e da mediação em diversas áreas do Direito, dentre as quais se destacam: empresarial; recuperação extrajudicial e judicial; imobiliário e infraestrutura; ambiental; família e sucessões; trabalhista e gestão de pessoas; propriedade industrial e inteligência artificial; agronegócio; e administração pública.


