A Grade Arquitetura foi a empresa vencedora do projeto de Procedimento e Manifestação de Interesse (PMI, do Governo do Estado, para a construção do maior complexo Náutico na Baia de Guaratuba. A moderna estrutura será edificada ao lado da Ponte da Vitória – Ponte de Guaratuba, que será inaugurada dia 29 de abril pelo governador do Estado, Ratinho Junior.
O complexo, de acordo com os arquitetos e projetistas, Alexandre Cirino e Carolina Cabrera, da empresa Grade Arquitetura, terá, também, a revitalização de todo o acesso da região central da cidade. “Nossa empresa tem 25 anos de experiência e atuação na área de projetos urbanísticos e o de Guaratuba fortalecerá a mobilidade e o desenvolvimento econômico da região”.
O projeto valorizará a orla, incentivará atividades náuticas e ampliará as opções de lazer e ser viços, consolidando-se como um novo ponto de referência para moradores e visitantes, explica Cirino.
Com o avanço da infraestrutura no Litoral, o espaço antes dedicado ao transporte de veículos e passageiros através de ferry-bots passará a ganhar uma nova função, ampliando o potencial econômico e turístico da cidade.

A previsão é que as obras tenham início a partir de 2027 por meio de um contrato de concessão do terreno à iniciativa privada. O prazo de execução é de até cinco anos, mas ele poderá ser antecipado pela futura concessionária a ser contratada.
O projeto prevê a construção de um complexo com cerca de 12 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados – que inclui o atual canteiro de obras da ponte –, com a maior parte destinada ao uso público.
A marina, principal estrutura do empreendimento, contará com 303 vagas molhadas (para embarcações atracadas na baía) e 400 vagas secas (para embarcações alocadas internamente). Também está previsto estacionamento para 208 veículos, espaços de convivência, lazer e serviços, incluindo restaurantes, lojas e estrutura para eventos.
Investimentos de R$ 100 milhões

O investimento será de aproximadamente R$ 100 milhões, por meio da cessão do terreno para a instalação do futuro complexo. As obras deverão ser custeadas pela concessionária do espaço, a ser definida via processo licitatório. Também caberá à empresa vencedora a manutenção do local pelo período do contrato, com duração de 30 anos.
A licitação será feita na modalidade de concorrência pública, o que deve gerar uma economia de R$ 20 milhões para o Estado ao longo das três décadas, segundo os estudos da SEPL, além de garantir maior competitividade entre os interessados. Após a conclusão do projeto, o processo de concessão e a fiscalização do contrato serão conduzidos pela Secretaria da Infraestrutura e Logística (Seil), já que as áreas do ferry boat pertencem ao Estado e são administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).
Durante a obra, está prevista a geração de cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, o que deve injetar aproximadamente R$ 100 milhões em salários na economia local. Já na fase de operação, outros 695 postos de trabalho devem ser criados de forma direta e indireta.
Segundo o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, a estrutura do ferry boat será mantida temporariamente para assegurar o atendimento à população durante o período de adaptação. “As duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte. Finalizada essa parte, vamos ter uma revitalização tanto do lado que dá acesso a Matinhos quanto do lado de Guaratuba”, afirmou.
Modelo de concessão

Dentro dessa estratégia de requalificação e atração de investimentos, o projeto foi estruturado para viabilizar a participação da iniciativa privada, por meio de um modelo de concessão. A modelagem é conduzida pela Secretaria de Estado do Planejamento, por meio do programa de parcerias.
Além do uso turístico e comercial, o complexo prevê espaços públicos e de apoio a serviços essenciais. Estão previstos pontos para atuação do Corpo de Bombeiros, acessos para pescadores e moradores à baía de Guaratuba, além da possibilidade de uso por instituições como a Marinha do Brasil. Também está prevista a implantação de uma área para pequenos eventos públicos e privados, ampliando as possibilidades de uso ao longo do ano.
Como bem público, o complexo terá uma ampla área de livre circulação, reforçando a integração com a cidade e garantindo acesso democrático à nova estrutura, mesmo com a presença de empreendimentos comerciais.
O projeto já teve suas diretrizes aprovadas e agora avança para a fase externa, com a abertura de consulta pública e a realização de audiência em Guaratuba. A proposta é permitir a participação da população e de investidores interessados, possibilitando ajustes antes da versão final.
As contribuições devem ocorrer ao longo de um período de 30 dias, dentro de um cronograma que também prevê sondagem de mercado. Após essa etapa, o processo ainda passará por autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), até a publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026.
A modelagem contou com estudos apresentados por empresas por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), mecanismo que permite ao setor privado colaborar com levantamentos técnicos, análises de viabilidade e propostas de estruturação.
Ponte de Guaratuba (Ponte Vitória)
Mais do que resolver um gargalo histórico, simbolizado pela dependência do ferry boat, a Ponter Vitória, uma obra de cerca de R$ 400 milhões representa o início de um novo ciclo de desenvolvimento. Esse movimento, segundo moradores, empresários e gestores públicos, já começou antes mesmo da entrega oficial e deve impactar todo o Litoral de forma integrada.
A Ponte de Guaratuba é a maior obra de infraestrutura em execução no Paraná e integra um pacote mais amplo de investimentos de aproximadamente R$ 1,7 bilhão voltado à transformação do Litoral. Além da própria ponte, o Estado avança em uma série de intervenções estruturantes que ajudam a sustentar esse novo ciclo de crescimento.
Entre elas está a duplicação da PR-412 no trecho entre Matinhos e o balneário de Praia de Leste, em Pontal do Paraná, com 14,28 quilômetros de extensão e investimento de R$ 274 milhões, melhorando a principal ligação entre os municípios. No sentido sul, o Governo do Estado também executa a duplicação da PR-412 até Garuva, em Santa Catarina, com aporte de cerca de R$ 365 milhões, além de um acordo com o estado vizinho para dar continuidade à obra pela SC-417 até a BR-101, solucionando um impasse histórico e ampliando a integração logística da região.

Imagens/Grade Arquitetura


