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O veneno escondido no Rio Tibagi. Justiça impõe derrota à Klabin

O que repousa nas profundezas do Rio Tibagi não é apenas carvão vegetal. É o retrato de décadas de degradação ambiental, omissão e um passivo ecológico que agora ameaça emergir como uma das maiores feridas ambientais da história do Paraná.


Ao longo de cerca de 50 quilômetros do leito do rio, um gigantesco depósito de resíduos oriundos das atividades industriais da Klabin se tornou símbolo da lenta agonia de um dos mais importantes rios paranaenses. O Tibagi sufoca.


Peixes mortos, praias tomadas por vestígios escuros de carvão, espumas poluentes e relatos de doenças entre moradores ribeirinhos formam um cenário alarmante, denunciado há mais de duas décadas pela Associação dos Pescadores Ambientais do Paraná (PAP). Enquanto o tempo passava, o rio acumulava resíduos, silêncio institucional e revolta de quem vive às suas margens.


As denúncias, levadas adiante também pelo advogado Gabriel Granado junto ao Ministério Público, Secretaria do Meio Ambiente e órgãos de fiscalização, finalmente encontraram eco no Tribunal de Justiça do Paraná.


Em decisão dura e simbólica, o Tribunal impôs uma derrota à Klabin ao rejeitar manobras que poderiam empurrar ainda mais para frente a reparação ambiental. A ação civil pública ambiental envolve diretamente moradores e comunidades atingidas no entorno do Rio Tibagi.


A Corte foi categórica: sentença transitada em julgado não é peça de conveniência para renegociações intermináveis. O Tribunal derrubou medidas que poderiam atrasar a execução da condenação, como novas audiências de conciliação e tentativas de rediscutir o processo.


Na prática, fica mantida a obrigação da Klabin de remover os resíduos poluentes — especialmente o carvão depositado no leito do Tibagi.


O acórdão ainda reforça princípios fundamentais do Direito Ambiental, como o do “poluidor-pagador” e a vedação ao retrocesso ambiental, deixando claro que flexibilizar a decisão significaria enfraquecer a proteção ao meio ambiente e transformar a Justiça em mera formalidade burocrática diante de um desastre real.


Agora, o que emerge das águas do Tibagi não é apenas carvão. É a cobrança de uma dívida ambiental acumulada por anos — e que finalmente começa a bater à porta dos responsáveis.


Tentamos falar com a Assessoria de Comunicação da Klabin, mas não obtivemos respostas.

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