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Inflação em Curitiba e RM fica abaixo da média nacional em março, apesar da forte alta dos combustíveis

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou mais moderada em Curitiba e Região Metropolitana (RMC) em março de 2026. Enquanto o índice nacional registrou alta de 0,88% no mês, a variação na capital paranaense foi de 0,70%, segundo o Boletim da Inflação elaborado pela Fecomércio PR com base nos dados oficiais.

O resultado indica um comportamento mais contido dos preços na capital do estado, com pressão concentrada em grupos específicos. Em Curitiba, a inflação foi puxada principalmente pelos grupos Alimentação e bebidas, que avançou 1,64%, e Transportes, com alta de 0,85%.

Por outro lado, o grupo Habitação apresentou queda de 0,30%, contribuindo para conter o índice geral. O principal fator foi a redução no preço da energia elétrica residencial, que recuou 2,18% no mês e exerceu impacto desinflacionário relevante.

Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, parte das pressões recentes está associada ao cenário internacional. “O forte aumento do óleo diesel pode ser relacionado aos efeitos do conflito no Oriente Médio e seus impactos no petróleo. Diante disso, o governo federal lançou uma medida provisória com ações emergenciais para conter a alta, buscando mitigar os reflexos no preço final ao consumidor”, observa.

No acumulado de 12 meses, a inflação em Curitiba e Região Metropolitana ficou em 3,03%, abaixo da média nacional de 4,14% e ainda dentro do limite superior da meta estabelecida para o período.

“A tendência é de manutenção da inflação dentro do intervalo de tolerância da meta em 2026, embora o cenário internacional traga um grau adicional de incerteza, especialmente em função das tensões no mercado de combustíveis”, avalia Dezordi.

Variação mensal

Entre os itens com maior alta em março em Curitiba e RM, destacam-se produtos in natura, como cenoura (+38,39%), cebola (+24,44%), tomate (+18,69%), batata-inglesa (+17,07%) e repolho (+15,60%), além do óleo diesel (+13,86%) e do ovo de galinha (+8,58%). Esses movimentos refletem, em grande parte, fatores sazonais e ajustes de oferta. “A alta do diesel acaba impactando toda a cadeia produtiva e de distribuição, produzindo efeitos em outros produtos do consumo do dia a dia das famílias, entre eles os alimentos”, observa o economista.

No sentido oposto, contribuíram para conter a inflação itens como maçã (-7,41%), açúcar cristal (-5,11%), emplacamento e licenciamento (-4,83%), livros não didáticos (-3,65%), seguro voluntário de veículo (-3,53%) e artigos de iluminação (-3,42%).

Acumulado do trimestre e em 12 meses

No acumulado de janeiro a março de 2026, em Curitiba, as maiores elevações de preços foram registradas em itens como pepino (+37,46%), tomate (+32,31%), cenoura (+32,27%) e cebola (+19,44%), além do óleo diesel (+16,95%) e da passagem aérea (+13,74%).

Por outro lado, itens como emplacamento e licença (-13,80%), mamão (-8,11%), açúcar cristal (-8,06%), artigos de iluminação (-7,16%), hospedagem (-5,72%) e arroz (-5,54%) apresentaram redução de preços no período.

Já no acumulado de 12 meses, alguns produtos se destacaram pela alta mais acentuada, como joias (+27,23%) e passagens aéreas (+25,17%). “A elevação do preço das joias está associada à valorização do ouro e da prata no mercado internacional, o que impacta diretamente os preços ao consumidor”, explica Dezordi. Do lado oposto, entre as reduções de preços estão o arroz (-31,22%), azeite de oliva (-25,53%), alho (-22,11%) e feijão preto (-21,42%).

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