O que vemos, hoje, em Curitiba, é uma preocupação e um cuidado diuturno com os moradores de ruas. Funcionários da gestão desenvolvem ações dia e noite de acolhimento, saúde, alimentação, assistência social e empregabilidade às pessoas que vagueiam sem rumo pelas ruas, avenidas e praças.
Mas, não é só isso: Curitiba também tem um olhar silencioso para o chão, onde circulam animais caseiros de pequeno. Um olhar, um cuidado atento. E ele costuma vir de baixo, rente ao chão, onde caminham aqueles que não falam, mas sentem tudo: os pets. Muitos deles, ao lado dos moradores de rua.
https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/gatas-ganham-novos-lares-com-adocao-responsavel-feita-em-totens-da-rede-de-protecao-animal-de-curitiba/81635https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/gatas-ganham-novos-lares-com-adocao-responsavel-feita-em-totens-da-rede-de-protecao-animal-de-curitiba/81635
Nos gramados do Parque Barigui, entre corridas leves e fins de tarde apressados, há histórias que quase ninguém vê por inteiro: o cão resgatado que reaprende a confiar, o gato que encontrou abrigo depois de dias invisível, o tutor que, sem dizer uma palavra, encontra ali um tipo raro de consolo.
Pets, parte da alma da cidade
Curitiba, aos poucos, vai entendendo que esses pequenos personagens não são coadjuvantes. São parte da alma da cidade.
Amar, de verdade, exige mais do que carinho — exige estrutura, compromisso, presença concreta. E é aí que surge uma das maiores urgências urbanas travestidas de sensibilidade: o acesso à saúde para os animais, especialmente para aqueles que não têm quem pague por ela.
A ideia de um hospital veterinário público, gratuito, deixou de ser sonho distante e passou a ser necessidade evidente. Não como luxo, mas como extensão natural de uma cidade que se pretende humana. Porque quando um animal sofre, não é só ele — há também um tutor angustiado, muitas vezes sem recursos, carregando no colo um pedaço do próprio afeto.
E o poder público, que tantas vezes se perde em números e prioridades frias, começa a ser chamado para algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo: cuidar.
Cuidar de quem não vota, não cobra em palavras, não ocupa tribunas — mas que transforma vidas no silêncio da convivência diária.
Talvez Curitiba ainda esteja aprendendo. Mas já percebeu que grandeza urbana não está apenas em seus cartões-postais, como o Jardim Botânico, o Ópera de Arame, Teatro Guaíra, nem na fama de cidade planejada.
Está, sobretudo, na capacidade de estender a mão — ou melhor, o cuidado — àqueles que dependem inteiramente da nossa humanidade.
Porque, no fim, uma cidade só é verdadeiramente evoluída quando ninguém — nem mesmo um animal — é deixado para trás.
Hospital veterinário gratuíto
O Hospital Veterinário Municipal São Francisco de Assis, no bairro Taboão, completou um ano de funcionamento. Neste período, foram feitas 30 mil consultas gratuitas de cães e gatos, uma média de 80 atendimentos por dia. Este é o primeiro hospital veterinário público municipal do Paraná.
Curitiba vai ganhar o segundo Hospital Veterinário Municipal. O novo hospital vai atender nos mesmos moldes do Hospital Veterinário Municipal São Francisco de Assis com consultas, exames laboratoriais e de diagnóstico por imagem, atendimento ambulatorial e internação. Também haverá atendimento de especialidades como clínica geral, oftalmologia, cardiologia, dermatologia, oncologia, ortopedia e odontologia.


